Cada vez mais a comunicação pela Internet tem sido uma aliada dos pescadores na organização de suas aventuras de pesca. A facilidade de reunir pessoas de vários locais com interesses comuns permite a formação de grupos integrados com interesses em comum.
Márcio Big Mattos é responsável pela organização de pescarias no site Intrépida (www.intrépida.com.br) e já organiza a turma para a quarta viagem ao Rancho Xingu, em julho de 2006. Em suas observações, Big Mattos salienta a importância de se formar grupos afinados em seus objetivos, pois como não há interesse comercial a harmonia é fundamental.
“Nós fechamos o grupo entre amigos e amigos de amigos, o que garante que a viagem não será só pescaria, mas também uma oportunidade de trocar idéias, fortalecer as amizades. Os momentos de fim de tarde e noite no rancho, quando as pessoas tocam violão, cantam, ficam marcados”, acrescenta.
Na hora de montar o grupo, uma das preocupações, além de garantir o conforto e a segurança da turma, é prever inconvenientes que possam ocorrer. “A formação do grupo é importante, ninguém quer um chato na pescaria. E mesmo na hora de dividir os quartos é preciso sensibilidade para escolher as pessoas certas e evitar confusão”, acrescenta o pescador.
O Intrépida compartilha a formação do grupo com o site Tupiniquim Brazilian Fly Tyer Team (www.tbftt.com.br), que deu início às caravanas ao Xingu em 2003. Geraldo de Barros Monteiro Filho, responsável pelo site, procura estimular a participação dos pescadores, inclusive ampliando os espaços para a troca de relatos das pescarias no site. O TBFTT passou a contar com uma seção sobre o Xingu, onde os pescadores colocam suas histórias e programam encontros eventuais para garantir a harmonia até a próxima pescaria.
Foi criado também a seção Galeria, onde o participante inclui sua série de fotos. Lígia Aparecida Louzada Ramos, também do site, é a motivadora feminina do grupo, estimulando a participação com fotos e comentários alegres, que fortalecem a amizade dos pescadores. “Os amigos dos amigos também vão se integrando no site, em uma espera ansiosa para a próxima viagem”, comenta Lígia.
Ela começou a ir ao Xingu para acompanhar o marido e se apaixonou pelo local. “Gosto de passear pelos rios, tirar fotografias, descansar e passar momentos alegres com o grupo. Também levamos os filhos, que acabam descobrindo os benefícios de uma viagem para a beira do rio, longe da correria e do trânsito de São Paulo”, ressalta Lígia.
Sua participação incentiva outras esposas e pescadoras a se integrarem ao grupo. Ana Maria Figolo Poiani, 47 anos, participou da caravana pela primeira vez este ano ao lado do marido, Vitório Roberto Poiani, 53 anos, e do filho Vítor, 21 anos, que já tinha visitado a região há três anos. “Sempre gostei de pescar, desde a infância, mas nunca tinha participado da turma. Foi fantástico, estava obcecada para pegar uma cachara”, recorda a pescadora.
Vitório Poiani também se divertiu muito. “A turma é maravilhosa, o espírito de grupo sempre prevalece. A gente aproveita todos os momentos da viagem. Também tive a oportunidade de pescar pela primeira vez com iscas artificiais”, salienta o pescador, que foi levado ao site pelo filho e agora já garantiu sua participação, e da família, é claro, no próximo ano.
Os cariocas Luís Orlando Faria e Luiz Alberto Jardim Motta Filho estiveram pela primeira vez no Alto Xingu. “Eu nunca tinha pescado em rio, é tudo muito diferente. Gostei da tranqüilidade do rio. Além da diversidade, não achei que teria tanta ação. Faria teve a oportunidade de pegar um dos raros trairões do grupo. “Apesar de não ser um dos gigantes, era um trairão e bastante violento”, recorda.
Debutando também, só que em água doce, o pescador Marcello Nicastro, da Intrépida, gostou da pescaria de tucunaré. “Eu sempre pesquei de artificial, mas em água salgada, principalmente o robalo, pescaria bem parecida com a do tucunaré. O robalo e o tucuna são bastante esportivos”, comenta. Responsável pelos momentos musicais do grupo, ao lado dos intrépidos Dirceu Reis Filho, o Xincha, no violão, e Nicola Rodrigues, 35 anos, no vocal, Nicastro alegrou as noites no Rancho Xingu, com cavaquinho e violão. A percussão ficou a cargo de Big Mattos.
Outro ponto positivo apontado por Xincha é a beleza das noites às margens do rio Kuluene. “O céu estrelado é muito bonito, vale a pena observar a noite, até levar uma luneta é legal. Você fica no tablado e escuta o barulho dos animais. Os jacarés ficam bem próximos”, acrescenta o pescador, que conseguiu pegar todas as espécies esportivas, como bicuda, matrinxã, jurupensen, cachorra e tucunaré. “Peguei o maior da turma no lago do Atá, um tucuna de 56 centímetros”, recorda empolgado.
Além da boa comida, tradicional no Rancho Xingu, em especial a cachorra assada (veja receita abaixo), os grupos são unânimes em valorizar pescadores artistas. Além da colaboração da equipe de piloteiros, sob a batuta do gerente da Pousada e Rancho Xingu Douglas dos Santos.
O site Pescarte (www.pescarte.com.br) também organiza grupos pa ra o Xingu e retornou da região no último dia 22. “A turma foi formada por pessoas de várias localidades, como Porto Velho (RS) e Rios do Sul (RO)”, diz Ezequiel Theodoro da Silva, editor do Pescarte. Ele também organiza grupos para Formoso do Araguaia, mas turmas de quatro pescadores apenas. “Tem muita gente querendo pescar comigo, mas é muita responsabilidade, com muitas pessoas a caravana perde a identidade”, salienta o pescador.
Silva acredita que o turismo da pesca pode crescer muito no Brasil, principalmente com investimentos em infra-estrutura e recursos humanos. O piloteiro ou guia de pesca é a peça fundamental para o sucesso da pescaria. “É importante que o guia saiba refrear seu desejo de pescar e voltar-se para a pescaria do cliente. Além de ter conhecimento de navegação, saber ler o rio, ter conhecimento de segurança, salvatagem e primeiros-socorros, mecânica básica de motor e noções de relações humanas”, acrescenta Theodoro da Silva.
• Serviço
O Rancho Xingu (www.ranchoxingu.com.br) fica localizado na Bacia Amazônica, Mato Grosso, no encontro dos rios Sete de Setembro e Kuluene, onde nasce o rio Xingu. O município mais próximo é Canarana MT, a 130 quilômetros do rancho, estrada de terra em boas condições. Para chegar a Canarana deve-se passar por Barra do Garças (rio Araguaia), onde o pescador verá a melhor opção para ir de sua cidade até a Barra, depois passa-se por Nova Xavantina (rio das Mortes), Água Boa e Canarana (tudo asfalto). De Bauru (SP), onde se encontra a administração do Rancho Xingu, até Canarana (MT), são 1.300 quilômetros. Outra opção é ir de avião, para isso consulte o escritório do rancho pelos telefones (14) 3223-5237, rua Doutor Alípio dos Santos, 5-30, Bauru (SP) ou consulte algum táxi aéreo de sua confiança.
* A repórter viajou a convite do Rancho Xingu
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Cachorra na brasa*
1 cachorra grande, com escamas, aberta ao meio, sendo retirado apenas o osso central
Tempero completo (limão, tempero pronto com alho e sal)
3 xícaras de maionese
4 colheres de mostarda
Alcaparras a gosto
Tomate e cebola picados
Modo de fazer:
Tempere a cachorra e faça uma mistura com a maionese e a mostarda, se quiser, inclua as alcaparras. Coloque o peixe aberto em uma grelha, passe uma camada da mistura e coloque bastante tomate e cebola picados. Leve ao forno em fogo baixo. Acompanhe o cozimento e depois é só servir com arroz.
* A receita é de Luzinete Ferreira Santana, a Netinha do Rancho Xingu, que tradicionalmente prepara a cachorra aos pescadores