Em um baile de aniversário da cidade, na década de 20, promovido pelas autoridades municipais, um jornalista dançava com uma jovem, pela qual estava enamorado, quando foi violentamente interrompido por Eduardo Vergueiro de Lorena, coronel político do PRP, que, de arma em punho, grita que vai expulsá-lo do salão.
- Quem o convidou? - grita possesso, a tal da autoridade.
- Não preciso de convite, sou jornalista! - teria respondido o jovem.
Verdadeira confusão. Mulheres desmaiam. As luzes se apagam.
Acaba o baile e Tito, o jornalista, é retirado do local por amigos preocupados com sua integridade física. Ele vai até a redação do jornal e redige a notícia da interrupção do baile, afirmando que a festa era de toda a coletividade, não se justificando a exclusão da oposição.
Se fosse nos dias atuais, com certeza, o vereador e amigo Toninho Garms, faria inflamado discurso na tribuna da Câmara acusando o prefeito de perseguir a oposição, principalmente se, da orquestra animadora do baile, fizesse parte o saudoso Otacílio Garms.
Entretanto, pouco tempo depois, a cena torna-se a repetir em baile realizado na Sociedade Recreativa Bauruense, onde a mesma autoridade interpela os diretores da entidade sobre a presença do jornalista no recinto. Interpela de forma acintosa e empunhando novamente a arma.
Após este segundo episódio, os colegas do jornalista realizam um almoço nas dependências do Hotel Zucchi para a despedida do amigo, anunciando que o mesmo já estava contratado para trabalhar na imprensa da Capital.
Carlos Fernandes de Paiva, Manoel Sandim e Oscar Telles são os organizadores do “bota-fora” do amigo, como fórmula encontrada para lhe garantir a vida, ameaçada constantemente por seus desafetos políticos. Entretanto, ao invés de trabalhar na imprensa paulistana, ele empregou-se como arquivista da Companhia de Cigarros Souza Cruz.
Porém, o mais importante, havia conseguido: estava vivo!
Decorrido muito tempo do episódio, o jornalista encontra-se com seu conterrâneo Casemiro Pinto Netto - o inventor do sanduíche Bauru - e este lhe acaba contando a verdade:
- Não foi nada disso, Tito. O coronel Lorena te perseguia porque tinha ciúme da moça com quem dançava.
Lido em Memória de um Socialista Congênito, de Tito Batini, e encaminhada por Antonio Pedroso Júnior