Rio de Janeiro - Brasília é a melhor cidade do País para viver, Rio Branco é a pior, São Paulo e Rio são medianas. É o que afirma pesquisa que mediu a satisfação dos moradores de 26 Capitais e do Distrito Federal a partir de 12 itens analisados em cada uma delas.
Na comparação com as Capitais estaduais, Brasília recebeu uma avaliação 113,52% acima da média nacional, de acordo com pesquisa divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ou seja, o número de moradores de Brasília que se disseram satisfeitos por viver lá é mais que o dobro da média nacional de satisfação nas cidades em que vivem os demais brasileiros.
No outro extremo, Rio Branco foi considerada a pior, na opinião de seus próprios moradores, que avaliaram a Capital do Acre negativamente: 69,94% abaixo da média nacional. As duas principais capitais do País, São Paulo e Rio de Janeiro, ficaram, respectivamente, nas 11.ª e 10.ª posições.
O estudo da FGV toma por base a percepção das pessoas com relação a 12 variáveis - como serviços públicos, poluição e violência - que refletem a qualidade de vida nas Capitais. A partir dos resultados obtidos por meio de questionários, calcula-se uma média nacional.
O ranking das Capitais é elaborado, então, por meio do Índice de Condições de Vida (ICV), um percentual que mede a satisfação em cada cidade, sempre na comparação com a média nacional. O economista Fernando Blumenschein, coordenador da pesquisa, disse que uma vez estabilizada a economia brasileira, a população tem se voltado cada vez mais para a qualidade das condições de vida do dia-a-dia.
Segundo ele, apesar de tomar por base avaliações dos moradores, subjetivas, as estatísticas são fundamentais para orientar os governantes no direcionamento de políticas públicas.
“Quanto piores forem as condições de vida, menores são as produtividades locais. Assim, as condições atraem ou expulsam os investimentos produtivos, interferem em emprego e renda e nos fluxos migratórios entre as regiões”, afirmou Blumenschein. Mesmo com parâmetros subjetivos, a pesquisa mostra uma nítida desigualdade entre os ICVs das Capitais.
Segundo o economista, o fato de São Paulo e Rio ocuparem posições intermediárias mostra que não são percebidas como as melhores cidades para se viver. São Paulo obteve uma avaliação 18,91% acima da média do País e o Rio, 20,50%.
Já as Capitais das regiões Norte e Nordeste apresentaram resultados significativamente piores do que os das demais. Não por acaso as dez piores cidades do ranking são dessas regiões. Nenhuma Capital do Norte recebeu avaliação com saldo favorável.
Inversamente, todas as Capitais do Sul e Sudeste registraram um ICV positivo. No Nordeste, apenas Aracaju, Salvador e Natal - 12.ª, 13.ª e 14.ª colocações, respectivamente- tiveram desempenhos positivos. De acordo com Blumenschein, um crescimento médio anual de apenas 0,6% na renda per capita nos últimos 25 anos aliado a investimentos insuficientes e mal alocados nas áreas públicas tornaram ruins as condições de vida dos brasileiros.
As 12 variáveis consideradas na pesquisa foram: avaliação da renda total familiar, quantidade de alimentos consumidos, tipos de alimentos consumidos, avaliações do serviço de água, da coleta de lixo, da iluminação de rua, da drenagem e escoamento de água de chuva, do fornecimento de energia elétrica, de problemas com rua ou vizinhos barulhentos, de problemas com poluição ou ambientais causados pelo trânsito ou indústria, de problemas com violência ou vandalismo na área de residência, e as condições de moradia da família.
Blumenschein recomenda que outras variáveis - como avaliação de serviços de saúde, educação, transportes e cultura - sejam incorporadas nas pesquisas do próximos anos. O índice foi construído por meio dos dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), de 2002/2003, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).