Quem é que nunca brincou de autorama na vida? Quem não tinha o seu por falta de dinheiro para comprar - desde o seu surgimento no País, na década de 60, era um brinquedo caro -, aproveitava a chance com os dos amigos ou vizinhos. De lá para cá, o chamado automobilismo de fenda se desenvolveu com a criação de competições nacionais e mundiais e, principalmente, não perdeu seu principal ingrediente: continua a acelerar o coração de milhares de admiradores da modalidade, encarada como terapia para alguns e uma forma de relembrar os “velhos tempos” de criança para outros.
Em Bauru, os “autoramaníacos” estão a todo vapor graças a uma enorme pista particular para a prática do esporte recentemente inaugurada na cidade. O empresário bauruense Leonardo Amantini Amaronezi, 20 anos, é um dos que não perde a chance de marcar presença no local. Fã dos “carrinhos” desde criança, quando perdia horas e horas pilotando os autoramas da marca Emerson Fittipaldi, ele considera os desafios impostos pela modalidade um de seus maiores atrativos.
“É um esporte imprevisível que, mesmo não parecendo, exige muita dedicação. Isso porque é preciso dominar técnicas de preparação e muitos detalhes que fazem a diferença no desempenho final dos carrinhos. Acima de tudo é um desafio acertar os carros para as corridas e, por essa razão, a gente se sente um pouco piloto de verdade, uma das sensações mais gostosas do autorama”, enfatiza Amaronezi. E acrescenta: “Outro grande barato são as disputas sadias que ocorrem nas pistas. Quem ganha quer continuar na ponta e quem está atrás luta para chegar no topo.”
Para o empresário, o autorama ocupa um espaço tão importante em sua vida a ponto de considerá-lo uma terapia contra os estresses vividos no cotidiano. “É uma maneira de relaxar mesmo, pois trabalho direto à noite e não é fácil manter o pique no dia-a-dia. Por isso me dedico aos carrinhos, pelo menos, de duas a três vezes por semana”, afirma.
Outro fanático pelo automobilismo de fenda é o comerciante bauruense Tony Ibanhez, 30 anos, que desde os oito começou a “engatinhar” na modalidade com o pai. “Ele comprou um autorama para ele brincar e nem me deixava mexer, o que só pude fazer com 10 anos. Daí para frente não larguei mais”, conta.
E hoje, além de manter bem guardado o brinquedo onde a por meio de que se iniciou, Ibanhez é um praticante assíduo do esporte e, como Amaronezi, participa até de campeonatos. “Nos antigos autoramas você se limitava a ficar olhando os carrinhos, que não desenvolviam grandes velocidade. Neste é diferente, pois eles andam como automóveis de verdade, chegando a mais de 120 km/h. É gostoso e o melhor: você não arrisca a vida”, frisa o comerciante.
Ibanhez até brinca que em algumas ocasiões os “carrinhos” os deixam “meio louco” devido ao nível de concentração exigido. “Já cheguei a sair da pista com dificuldades para dirigir depois de algumas competições. Isso em virtude do automobilismo de fenda ser considerado o segundo esporte no mundo, depois da esgrima, a exigir maior reflexo”, compara.
Já o bauruense Rogério Suzuki, 32 anos, conhecido na cidade por disputar campeonatos de automodelos de controle remoto, também aderiu ao autorama. “É mais um vício que adquiri, pois pilotá-los é bom demais e bem mais barato do que outros esportes”, sustenta. E completa: “O mais importante é brincar, mas também não dá para ficar levando ralo dos outros”, argumenta, rindo.
Quem também retornou com força total ao automobilismo de fenda é o bauruense Jorge Bachega Filho, 27 anos, que “corre” quase diariamente. “Parei de praticar porque a cidade não tinha mais pista. Agora só não venho segunda-feira aqui porque a loja não abre. Assim a gente vai desenferrujando”, conclui.