Do rústico ao sofisticado, tecelagem, cerâmica e trançados, entre outras técnicas genuínas de artesãos paulistas, inspiram a produção de jóias em ouro e pedras preciosas.
Essa é a base da mostra “Jóias do Artesanato Paulista”, que reúne peças confeccionadas por 18 designers brasileiras. A mostra circula em diversas cidades do Interior. Em Bauru, ela pôde ser apreciada no último final de semana, no Bauru Shopping Center. Em novembro, estará em Campinas.
Fruto de uma parceria entre o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/SP) e Grupo Casa, a exposição busca resgatar tradições seculares das grandes e pequenas cidades do Estado por meio da mistura de materiais simples com gemas e pedras preciosas.
“A idéia é desenvolver um produto novo a partir de uma linguagem antiga”, explica a designer de jóias Miriam Mamber, uma das participantes do projeto. Ela, por exemplo, se inspirou na técnica do amarradinho, uma mistura de retalhos de tecido unidos em nó duplo, para criar suas peças.
“Com pedaços de tecidos, como juta, lycra e algodão, costureiras de diversas Organizações Não-Governamentais (ONGs) fazem tapetes, bolsas, roupas e outros objetos. É um trabalho característico brasileiro, que usa materiais baratos e bem acessíveis”, diz Mamber, que estudou a técnica em uma entidades do gênero em São Paulo.
O resultado da pesquisa superou as expectativas da designer e encanta o público. Exuberantes, as peças são trabalhadas em ouro puro com inspiração nas técnicas artesanais. Entre elas, se destacam um pulseira em formato de nó, um brinco com a base de ouro e enfeite de pérolas e um pingente “amarradinho” com prata e seda.
A designer de jóias Bettina Terepins, também participante do projeto, pesquisou o trabalho da comunidade de Ataí, em Itobi, São Paulo. A técnica se baseia no trançado em arame, que utiliza sementes, bolinhas, bambu, fio de folha de bananeira e pequenos pedaços de madeira para confeccionar pratos e cestas, entre outros objetos.
“Desenvolvi as jóias inspiradas nesse trabalho, só que ao invés de arame usei o ouro”, diz a designer. Para isso, ela utilizou diversas fitas de ouro, de diferentes larguras e espessuras.
“São fios verticais e horizontais trançados. Na pulseira, por exemplo, os verticais formam a estrutura e os horizontais ‘tecem’ a peça.”, detalha Terepins. A técnica se repete em um dos anéis, que a designer chamou de balaio. O outro anel traz fios de ouro trabalhados em cruz, numa espécie de teia de aranha”, aponta a designer.
As peças de Mamber e Terepins são apenas uma amostra da exposição, que agrada não apenas os olhos, mas aguça as emoções. Ao mesclar a simplicidade artesanal e a exuberância do ouro, as jóias personificam-se em verdadeiras divas e prometem seduzir o público. É um convite à contemplação do belo.