Vamos contextualizar. Essa frase utilizada por moderadores de debates acalorados, enquadra-se perfeitamente no embate público que se instaurou na cidade, às vésperas da Grand Expo (evento oficial do município), referente à interpretação da lei municipal 4632/01, que regula a concessão do Recinto Mello de Moraes à Associação Rural do Centro Oeste (Arco).
Até 1982, a Prefeitura de Bauru realizava a feira agropecuária como uma quermesse regionalizada no Estado, com alguns leilões e exibições de esforçados peões da região. Em 1982, o Governo do Estado doou um terreno ao município de Bauru (Lei 3.608), impondo como condição a utilização do espaço em prol de eventos ligados à agropecuária. Em caso de descumprimento, a prefeitura teria que devolvê-lo. O município ampliou a Grand Expo, constituindo uma “comissão específica†para cada evento. Bancava tudo, inclusive a manutenção do recinto durante o ano.
No final de 1990, regulado pela lei municipal 3.291, foi firmado o primeiro contrato entre a Prefeitura de Bauru e a Arco. Além desse histórico glorioso e evolutivo, a comissão de análise, que tive oportunidade de coordenar em 2000, constituída por membros da prefeitura e da Arco, que resultou na lei em vigor, levou em conta, entre outros dados, os que constam do processo GP-14.335/00. Sumariamente, podemos destacar que durante os 10 dias da Grand Expo (fora os dias de negociações e preparação), circulam no recinto: um público de 200 mil pessoas (80 milpagantes) e mais 4 mil criadores, expositores e familiares.
Ao longo do ano, ocorrem leilões e julgamentos, válidos para o ranking nacional, de mais de uma dezena de raças de bovinos, eqüinos, suínos e ovinos. Constatamos, ainda, que, durante os eventos dos cavalos, paint hourse e quarto-de-milha. Além do público, circulam no recinto em torno de 1.700 competidores nacionais e internacionais. Invariavelmente, o espaço é cedido para eventos de natureza religiosa e filantrópica. Todos os eventos realizados concorrem para engrandecer e enobrecer o conceito de Bauru, produzem divisas na agropecuária e promovem movimentações nos setores produtivos (postos de combustível, hotéis, restaurantes e comércio), gerando renda, empregos e tributos.
É oportuno ressaltar que, após o último contrato, a Arco passou a assumir responsabilidades que até então eram do município: a vigilância; os materiais para manutenção do recinto; solidarizar-se pela arrecadação de tributos junto aos ocupantes; além do compromisso de construir muro e calçada ao redor de todo terreno. Rediscutir parceria, com visão contextual, equilíbrio, fundamentado em fatos e dados, com envolvimento das pessoas certas e no momento propício é a postura desejável. Ano a ano, a Expo cresce e é considerada a 2.ª feira do Brasil, só perde para Londrina. É consagrada como a maior e mais tradicional festa popular da cidade. (O autor, Braz Melero, foi diretor regional da CPFL, assessor de gabinete da Prefeitura de Bauru e presidente da Cohab)