09 de julho de 2026
Nacional

Polícia mata o traficante Bem-Te-Vi

Folhapress*
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - O chefe do tráfico na favela da Rocinha (São Conrado, zona sul do Rio) e um dos criminosos mais procurados do Estado, Erismar Rodrigues Moreira, o Bem-Te-Vi, 29 anos, foi morto na madrugada de ontem durante um tiroteio com policiais civis na própria comunidade. Bem-Te-Vi levou quatro tiros e ainda chegou a ser levado para o hospital Souza Aguiar, no centro, onde morreu ao dar entrada.

Ele estava acompanhado de 12 seguranças armados com fuzis quando foi alvejado. No trajeto até o hospital, chegou a dizer “Vou morrer, vou morrer”, contaram policiais que participaram da operação. Para prender o traficante, os policiais alugaram uma quitinete na Rocinha para monitorá-lo. O imóvel fica em frente a uma boca-de-fumo. Por volta das 2h, os agentes viram Bem-Te-Vi se deslocando para um baile no clube Emoções escoltado por seus seguranças.

Uma hora depois, o traficante retornou para a parte alta da rua do Valão, uma das principais da Rocinha, na localidade conhecida como Y. Ali foi abordado pelos policiais. Houve intensa troca de tiros, que durou cerca de 40 minutos. Os traficantes chegaram a atirar granadas nos policiais. O carro blindado da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil (Core), chamado de Pacificador, entrou na favela para auxiliar na operação. Bem-Te-Vi estava armado com duas pistolas, sendo uma delas banhada de dourado.

Um dos tiros atingiu o abdômen do criminoso fazendo cair a sua pistola. Ele também foi atingido na cabeça, no tornozelo e pé. Já baleado, o traficante foi colocado dentro do Pacificador e levado para fora da favela. Para tentar resgatar Bem-Te-Vi, os traficantes atiraram em um transformador de energia elétrica e deixou a favela às escuras.

Dispararam tiros também em direção ao túnel Zuzu Angel, que liga os bairros da Gávea e São Conrado, para impedir que o carro da polícia entrasse nele. O túnel acabou fechado ao trânsito. No tiroteio, três moradores da Rocinha foram atingidos por balas perdidas. Foram identificados como Manuel Rodrigues, 54 anos, atingido no pescoço, Joana do Nascimento, 52 anos, baleada no braço e Luciano Ferreira, 29 anos, que levou um tiro na perna.

Todos foram internados no hospital Miguel Couto e estão fora de perigo. Um suposto segurança de Bem-Te-Vi, identificado como Eduardo Jorge Menezes, foi atingido e morreu no hospital. O corpo dele foi deixado no Miguel Couto por uma Kombi branca.

A investigação que resultou na operação para capturar Bem-Te-Vi foi iniciada há quatro meses pela 25.ª Delegacia de Polícia. Segundo o delegado Luiz Antônio Ferreira, o trabalho indicou que Bem-Te-Vi estava planejando uma grande invasão ao vizinho morro do Vidigal, que é controlado pela facção criminosa Comando Vermelho (CV), rival da Amigo dos Amigos (ADA), que domina a Rocinha. Com a morte de Bem-Te-Vi, o traficante Orlando José Rodrigues, o Soul, assumiu o controle do tráfico na Rocinha. Soul seria seu cunhado.

Luto e protesto

Com o luto forçado pela morte de Bem-Te-Vi, o comércio na Rocinha amanheceu fechado. Dois plásticos pretos foram estendidos na rua do Valão. A Polícia Militar ocupou a favela com 23 homens mas “olheiros” dos traficantes circulavam pelas ruas e se comunicavam normalmente por radiotransmissores. Alguns chegaram, via rádio, a fazer ameaças às equipes de reportagens que estavam na Rocinha.

Ontem à tarde, um tiroteio na entrada do túnel Zuzu Angel apavorou os motoristas que trafegavam no local. Segundo o 23º Batalhão da Polícia Militar, os tiros foram disparados em direção ao túnel por traficantes da Rocinha, que protestavam contra a morte de Bem-Te-Vi.

Os tiros começaram quando ônibus com moradores saíram para o enterro do traficante, no cemitério São João Batista. O túnel ficou fechado por cerca de 20 minutos, das 16h15 às 16h35. Motoristas assustados abandonaram seus carros dentro do túnel. Outros deram marcha a ré. De acordo com a PM, ninguém ficou ferido.

*Mario Hugo Monken