Rio - Chefe do tráfico de drogas da favela da Rocinha (zona sul do Rio), Erismar Rodrigues Moreira, o Bem-Te-Vi, era atualmente o traficante mais famoso do Rio e um dos criminosos mais procurados no Estado.
Bem-Te-Vi gostava de ostentar. Ele fazia grandes festas na comunidade - na do seu último aniversário chegou a fechar o túnel Zuzu Angel, que liga a zona sul ao bairro de São Conrado, para evitar operação da polícia. O traficante também era excêntrico. Decorava de dourado o armamento da sua quadrilha.
Ao morrer, policiais encontraram com ele duas armas douradas. Bem-Te-Vi começou a controlar o tráfico na favela mais rentável do Rio no ano passado, após a morte do traficante Luciano Barbosa da Silva, o Lulu. Ele se associou à facção criminosa Amigo dos Amigos (ADA) Em agosto, a fama aumentou. Conversas gravadas com autorização da Justiça revelaram uma proximidade dele com famosos jogadores de futebol do Rio.
Em uma delas, ele conversava com o goleiro Júlio César, ex-Flamengo e hoje na Inter de Milão. Dizia que estava com “â€saudade’’ e falava para o atleta visitá-lo na favela. Em outra conversa, o jogador conta ter presenciado um assalto na entrada da Rocinha e que queria avisá-lo, porque sabe que “â€a galera do morro não pode pegar nada de ninguém aqui embaixoâ€. E diz que, se isso voltasse a acontecer, daria “um toque†a Bem-Te-Vi.
O atacante Romário, do Vasco, admitiu, em depoimento a policiais, que participou de partida de futebol beneficente com Bem-Te-Vi no dia 18 de maio, o traficante jogou no seu time durante dez minutos e, depois, passou para o da Rocinha. Romário disse que foi a única vez que viu o traficante.
Em outras conversas, Bem-Te-Vi utiliza intermediários para marcar um encontro com um suposto jogador identificado como R-9 (nome usado pelo atacante Ronaldo, do Real Madrid, no seu site, em antiga boate no Leblon e na linha de produtos da Nike).
O jogador negou conhecê-lo. Bem-Te-Vi pretendia dominar todo o tráfico da zona sul do Rio e, de acordo com investigações policiais, contava com uma tropa de choque de pelo menos 56 pessoas, que ficavam encarregados de sua segurança na favela, bem como da defesa da Rocinha contra operações da polícia e ataques de grupos rivais. Ele teria condições de reunir cerca de 400 homens, recrutados na Rocinha, e que lá haveria aproximadamente 150 fuzis.