Na lendária anedota popular, o cara grita: “Você aí em cima! Segura na broxa que vou retirar a escada!†Imagem da enrascada do governo Lula. As investigações parlamentares avançam. A escada de Lula foi retirada há muito tempo. Zé Dirceu propalou aos quatro ventos que jamais deixou de informar Lula de suas ações. Silvinho Pereira, ex-secretário do PT, declarou que os 21 membros do Diretório Nacional do PT sabiam das trambicagens realizadas em nome do partido. Lula vai ficar pendurado na broxa até o final dos tempos...
Duas broxas seguram Lula no Palácio do Planalto. O argumento, inventado pelo Ministro da Justiça, Márcio Tomás Bastos, de que toda a roubalheira deve ser explicada como levantamento de fundos para campanhas - repetir esse argumento, em coro, até a exaustão passou a ser obrigação de todo petista para tentar fazer o povo incauto acreditar na conversa mole dos larápios. Outra brocha de cabo mais confortável procura vender a imagem do bom desempenho da economia nacional como resultado da política econômica posta em ação por Palocci. O presidente pavoneia pelo País o argumento da correta política econômica. Chega a crer que será sua tábua de salvação do mar de lama em que atolou seu governo...
Temos todos que concordar que levitar no poder com tais argumentos não é confortável. O argumento cândido de arrecadação de recursos de campanha provocou até a morte da velhinha de Taubaté. As investigações parlamentares, mesmo com a obstrução ferrenha dos petistas, apontam para o maior assalto aos cofres públicos perpetrados na querida pátria. Os anões do Orçamento e Collor foram reles batedores de carteira perto dos atuais contraventores.
Basta lembrar os contratos superfaturados, as comissões por intermediação de negócios com o setor público, a manipulação de verbas publicitárias, as negociatas milionárias dos recursos dos fundos de pensão, a distribuição de cargos públicos geradores de propinas, a lavagem dinheiro em contas no Exterior, até os gastos abusivos de dinheiro público nos gabinetes do Palácio do Planalto. O impacto reduzido da crise política sobre a economia nacional resulta, na verdade, das modificações ocorridas desde o Plano Real. A conjuntura econômica internacional favorável impulsionou o crescimento das exportações e o crescimento da economia. Mas nossa economia cresce apenas metade do que crescem as economias dos países emergentes.
A política mais que ortodoxa de Lula tira o sono de economistas. A esquerda petista arranca os cabelos de ódio. Os juros elevados elevaram a dívida pública nacional a R$ 1 trilhão. O setor público pagou nos últimos 12 meses R$ 150 bilhões de juros. Os juros altos seguram os investimentos e deixam os empresários insatisfeitos O efeito desastroso sobre a taxa de câmbio enraivece os setores exportadores e o agronegócio. Riem banqueiros e rentistas. A classe média já enterrou suas esperanças. Neste cenário adverso, o governo pensa ter encontrado novamente a escada da salvação com a eleição de Aldo Rebelo para a presidência da Câmara Federal. Alguns acreditam ser possível até começar a pensar em reeleição. Há loucos para todos os gostos na política... (O autor, Ulysses Guariba, é professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP)