• Tensão no ninho
É cada vez mais nítido o estremecimento da relação entre os vereadores tucanos Marcelo Borges e João Parreira de Miranda. Na sessão ordinária de ontem, da Câmara Municipal, a troca de farpas entre ambos motivou um debate acalorado. As alfinetas, porém, já vão além da tribuna e agora se materializam em atos legislativos que afetam interesses entre si.
• Estopins da briga
Ontem, os estopins para a “briga” de Borges, um dos principais oposicionistas ao prefeito municipal Tuga Angerami (PDT), e o “tuguista” Parreira, foram a possível desapropriação do prédio da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e um projeto aprovado na mesma sessão que estipula normas para o parcelamento, uso e ocupação do solo.
• Estação da discórdia
Enquanto Borges é radicalmente contra a iniciativa do Poder Executivo de desapropriar a estação, por entender que os recursos deveriam ser destinados para ampliar as vagas em creches, Parreira é a favor, sustentando ser uma atitude inteligente do prefeito e que irá beneficiar diversos segmentos da sociedade, além de revitalizar a região central da cidade.
• Temperatura elevada
Mas o clima esquentou mesmo entre os tucanos após Borges ter apresentado uma emenda que propunha novas dimensões mínimas para loteamentos, desdobros, remanejamentos e desmembramentos (testada). Parreira, empresário do setor imobiliário, não gostou e, mesmo não citando diretamente o nome do “companheiro” de legenda, foi duro nas palavras: “Tem gente que entrou aqui achando que é Deus e que pode barganhar para conseguir as coisas”, atacou pesado.
• Pagamento em dia
O projeto aprovado na sessão de ontem condiciona a aprovação ou liberação para a execução de loteamentos se o empreendedor estiver em dia com o pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Ou seja, para gerar capital em suas glebas, os loteadores antes têm que cumprir com as obrigações perante o fisco municipal.
• Refis sem ‘grandes’
Por falar em pagamento de impostos, a prefeitura estendeu o prazo para que os contribuintes inadimplentes façam adesão ao Refis (programa de Refinanciamento Fiscal), mas o governo, a esta altura, já sabe que os “grandes devedores” não foram alcançados com os benefícios oferecidos. Cobrar os “grandes” continua sendo compromisso que ainda terá de ser cumprido pelo atual governo.
• Fala inédita do Pastor
Famoso por sua discrição e por raramente utilizar a tribuna durante as sessões, o vereador Luiz Carlos Rodrigues Barbosa (PTB), o Pastor Luiz, surpreendeu na sessão de ontem da Câmara Municipal ao comentar rapidamente o projeto de revisão da planta genérica do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), enviado recentemente ao Legislativo.
• Jeitão do presidente
Durante o “discurso” do Pastor Luiz, um detalhe chamou a atenção e motivou uma piadinha de um atento observador da sessão. No momento, o vereador ocupava a presidência da Câmara em substituição ao “titular” Antônio Carlos Garmes (PSDB), motivo suficiente para o comentário. “Foi só ele virar presidente para desatar a falar”.