São Paulo - O ex-prefeito Paulo Maluf (PP), que vinha adotando uma atitude mais contida desde que deixou a carceragem da Polícia Federal (PF) há 12 dias, surpreendeu ontem os clientes do shopping Aspen Mall, em Campos do Jordão, onde fez uma aparição relâmpago. Ladeado por seguranças, Maluf chegou ao shopping sorrindo, gesticulando muito, falando alto e cumprimentando os que encontrava com tapinhas nas costas ou apertos de mão.
A reportagem conversou com três pessoas que estavam no local. Todas foram unânimes em dizer que Maluf estava “bem-disposto” e “muito simpático”. A imagem, disseram, era muito diferente daquela reproduzida pelas TVs e pelos jornais de quando ele deixou a prisão, mancando, amparado pelo filho, com barba por fazer, cabelos mais brancos e um olhar perdido.
Num quiosque de chocolates, no piso térreo, o ex-prefeito tomou um café e, depois, aproveitou para fazer compras. Levou chocolate com conhaque, outro com licor de menta, trufas e chocolate branco puro. Quando foi para a fila, conversou com uma mulher que aguardava ao lado da filha. Maluf se colocou à disposição para pagar a conta dela, o que realmente fez.
O ex-prefeito foi a Campos do Jordão (167 km de SP) na última sexta-feira para descansar, segundo informaram seus assessores. Deverá retornar a São Paulo depois de hoje ou na sexta-feira. O ex-prefeito e o filho Flávio deixaram a carceragem da Polícia Federal de São Paulo no dia 20 deste mês graças a uma liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF ). Os dois ficaram presos por 40 dias.
Durante a prisão, Maluf reclamou de dores no peito e na região gástrica. Chegou a deixar a carceragem duas vezes para passar por exames médicos. Quando conseguiu a liminar, um dos médicos do ex-prefeito disse que ele apresentava transtornos psicológicos. Em liberdade, amigos e advogados dizem que Maluf apresentou melhoras, principalmente por conta de nova medicação, mas que ainda está em recuperação.
Por conta das acusações de envio ilegal de dinheiro para o Exterior, pai e filho ainda respondem a dois processos criminais e a um cível - neste, a Promotoria da Cidadania de São Paulo pede a restituição de R$ 5 milhões aos cofres públicos. A origem dos depósitos no exterior, segundo o Ministério Público, está no desvio de dinheiro de obras públicas durante a gestão dele na Prefeitura de São Paulo, entre 1993 e 1996.