09 de julho de 2026
Cultura

Alunos da Unesp têm trabalho no File

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Nesta realidade digital, em que a maioria das relações tem como intermédio o virtual, mediatizado principalmente pela Internet, a 6ª edição do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (File), aberto ao público hoje em São Paulo, vem legitimar o conceito de cibercultura do filósofo Pierre Lévy.

Os 300 trabalhos selecionados de 30 países ficam expostos até do dia 20 de novembro e têm como elemento que os une a co-produção da obra, característica da ciberarte de Lévy, uma vez que a construção artística depende da intervenção do espectador que a lê e a interpreta.

Nesta mesma linha está o projeto “Moozak Urbana”, desenvolvido por alunos do segundo ano do curso de desenho industrial da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, e que foi selecionado para a mostra. No projeto, os usuários, por meio de webcam e microfones, produzem sons numa navegação infinita e renovável.

O nome, “Moozak”, é fruto de experiências feitas pelo norte-americano John Cage em meados da década de 70. Tais experimentos resultaram na conhecida “música de elevador”, produzida para suavizar os sons urbanos a que todos eram submetidos diariamente. “O nosso trabalho vai no sentido contrário. Queremos fazer com que as pessoas notem a sonoridade a sua volta e, com ela, intervenham construindo novos sons e imagens”, afirma um dos idealizadores do projeto, Pedro Oliveira. Além dele, estão no grupo os estudantes Antonio Belchior da Silva Neto, Dalton Sesoko, Felipe Trevisan Oliveira, Felipe Sbravate de Abreu, Gustavo Mendonça Richieri e Renato Quirino.

A experiência de participar de um festival internacional incentivou os participantes. “Quando enviamos o trabalho, estávamos no primeiro ano. O fato de ser selecionado em meio a profissionais do mundo todo nos motivou a continuar seguindo este caminho”, diz Oliveira. O projeto pode ser conferido no site: www. transdesign.art.br/moozak/moozak.zip

Programação

O File 2005 é realizado neste ano no Centro Cultural da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na Capital, até o dia 20 de novembro. A programação ocupa a Galeria de Arte, o Teatro e o Mezanino do Centro Cultural que recebe exposições, performances e palestras. Maior festival de arte e tecnologia do Brasil, há seis anos o File traz uma compilação de produções artísticas no campo das artes eletrônicas e digitais do mundo.

Na Galeria de Arte do Serviço Social do Comércio (Sesi), estão expostos 300 trabalhos de mais de 30 nacionalidades nas áreas de webart, netart, vida artificial, hipertexto, animação computadorizada, tele-conferência em tempo real, realidade virtual, software art, além de games, filmes interativos, e-vídeos, panoramas digitais e instalações de arte eletrônica e robótica.

No Mezanino do Centro Cultural Fiesp, é realizada a 4ª edição do File Symposium, que trouxe ontem o renomado pensador das novas mídias Ted Nelson, além de outras dezenas de palestras com profissionais brasileiros e estrangeiros a fim de discutir a cultura-digital eletrônica em suas relações com a arte, as ciências e as tecnologias.

Uma das grandes atrações do evento é a 3ª edição do File Hipersônica, braço sonoro do festival, que busca enfatizar as manifestações musicais, visuais e performáticas da arte eletrônica. Neste ano, o Hipersônica tem como destaque o maior DJ do underground mundial, o nova-iorquino Spooky. Artista conceitual, escritor e músico, ele faz sua apresentação hoje, às 21h30, no teatro do Sesi.

O festival também leva arte à rua. A instalação interativa “Idades” foi montada dentro da estação Trianon do metrô. “Idades” é uma produção dos artistas espanhóis Antonio Urquijo de Simón, Jordi Puig Vilá, Daniel Desiderio Páez Castillo, Carolina Padilla Villarraga, Philip Morris. “Transfers”, elaborado pelo artista norte-americano Matt Roberts, é outro trabalho instalado no interior de um táxi que andará pelas ruas de São Paulo. Mais sobre o festival no site: www.file.org.br