08 de julho de 2026
Regional

Acusado muda versão sobre incêndio

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Marília - Os acusados de terem provocado o incêndio que destruiu parcialmente o prédio da Central Marília Notícias (CMN) em setembro foram ouvidos ontem pela juíza substituta Patrícia Soares de Albuquerque e um deles deu uma versão completamente diferente daquela que havia prestado na Delegacia Seccional.

O motorista Amauri Campoy, 47 anos, o primeiro a ser ouvido e também o primeiro a ser preso após o incêndio, passou a responsabilizar o próprio editor do jornal “Diário de Marília”, José Ursílio, pelo crime. Além do jornal, a CMN é proprietária também das rádios Diário FM e Dirceu AM.

Campoy contou à juíza que foi procurado diversas vezes por Ursílio, para que fosse trabalhar como vigia na empresa.

Na véspera do incêndio, o editor teria ido à casa de Campoy, acompanhado de uma outra pessoa de nome Bruno. Segundo o motorista, Ursílio pediu que ele fosse à sede do jornal entre 1h15 e 1h30.

Conforme combinado, Campoy teria chegado em seu carro e ficado esperando ser chamado pelo tal Bruno. Ele contou que Bruno chegou ao local acompanhado de mais duas pessoas, todas encapuzadas. Campoy disse que viu quando as pessoas entraram na empresa com os galões de gasolina, mas teria ido embora antes do incêndio.

Questionado sobre seu primeiro depoimento, no qual afirmou que havia sido procurado por Bruno Coércio para a prática do crime, Campoy disse que havia sido pressionado na delegacia para incriminar Coércio.

O acusado declarou ainda que Ursílio teria comentado com ele que “se desse tudo certo seria pago um bom valor pelo seguro (do prédio)” e Campoy receberia parte do dinheiro.

O segundo a ser ouvido foi o publicitário Amarildo Barbosa, 43 anos. Ele afirmou que no dia do crime não estava em Marília. Barbosa negou toda a acusação contra ele.

Sobre os dois galões de álcool apreendidos em sua casa, o publicitário argumentou que o produto era utilizado na manutenção de seus carros e usados em seu trabalho.

Barbosa disse que permaneceu 41 dias foragido porque teve medo de se apresentar em razão do clima que a cidade estava vivendo e porque pessoas inocentes estavam sendo presas.

Barbosa atuou como assessor da liderança do PSB na Assembléia Legislativa de São Paulo até o início de setembro, por indicação do deputado estadual Vinícius Camarinha.

O último a ser interrogado ontem foi o comerciário Bruno Gaudencio Coércio, 22 anos. Ele também negou as acusações e disse que permaneceu em uma chácara, em Marília, depois que sua prisão foi decretada. Ele disse que ficou com medo da repercussão do caso na imprensa. Por isso, não se apresentou. Coércio é filho do secretário municipal de Esportes, Carlos Coércio

Tanto ele quanto Barbosa declararam no interrogatório que estavam em Foz do Iguaçu no dia do incêndio.

O editor José Ursílio disse que o depoimento de Campoy, que o acusou de ter planejado o incêndio, foi “extremamente previsível”. Segundo ele, o acusado apenas reproduziu os argumentos que haviam sido preparados pelo advogado de defesa João Simão Neto. “Coincidentemente, o mesmo advogado do ex-prefeito Abelardo Camarinha”, acusou.