10 de julho de 2026
Nacional

Presos fogem na região de Ribeirão Preto

Folhapress*
| Tempo de leitura: 3 min

Ribeirão Preto - A região de Ribeirão Preto registrou anteontem sua quarta fuga de presos em apenas 24 dias. Doze detentos fugiram da Cadeia Pública de Orlândia e somente cinco tinham sido recapturados pela polícia até as 19h30 de ontem.

Como nos outros casos, a cadeia estava superlotada 130 homens onde cabem 40 e havia pouca segurança: apenas um carcereiro trabalhava no momento da fuga. O segundo homem que atua no setor está em férias. Inaugurada em abril, a cadeia já tinha vivenciado uma fuga de quatro presos em agosto. A fuga foi notada às 11h20, durante o banho de sol dos presos.

Segundo a Polícia Civil, os detentos serraram as grades que separam o pátio do corredor lateral da cadeia com uma faca improvisada (“naifa”). A ação não foi vista porque o pátio estava lotado. Depois de chegar ao corredor, os presos quebraram parte de uma parede que dá acesso ao quintal dos fundos da cadeia.

Ao pular o muro, alcançaram a rua. A primeira fuga do período, no último dia 9, ocorreu em Ituverava, onde cabiam 38 presos e havia 128: um detento foi resgatado e outros seis fugiram. Uma semana depois, em outro resgate, 27 detentos foram libertados em Santa Rosa de Viterbo, que abrigava 112 presos para uma lotação de 48.

No último domingo, 20 escaparam da Cadeia Pública de Guariba, durante uma rebelião, quando o local tinha 83 presos, mas só cabiam 24. Na ocasião, a principal reivindicação dos detentos era a transferência de presos para aliviar a superlotação.

Ontem, houve mais um incidente em Guariba: dois dos presos recapturados mantiveram um carcereiro como refém dentro da cela por 15 minutos, reivindicando transferência. Foram enviados para Sertãozinho.

Demora na reforma

Segundo carcereiros de sete cadeias da região ouvidos pela reportagem, o aumento de fugas se deve à demora do governo do Estado em concluir a reforma das cadeias de Cajuru, Jaboticabal e Batatais e à falta de vagas em penitenciárias, aliado à falta de pessoal para vigilância. Santa Rosa do Viterbo, Franca, Pitangueiras e Monte Alto estão entre as cidades que receberam presos desde o ano passado em razão da desativação temporária das três cadeias para reforma.

A superlotação pode ser mais agravada até o final do ano com a interdição de Ituverava e Miguelópolis para reforma - ao todo, as cadeias despejarão cerca de 160 presos nas unidades da região.

Dos casos em andamento, o mais crítico é o da cadeia de Cajuru, que foi interditada, segundo o delegado do município, Paulo José Piçarro, no final de 2003, e até agora não está pronta. Os prisioneiros foram removidos em fevereiro de 2004 para Santa Rosa de Viterbo, mas a reforma só começou em abril deste ano.

Transferência

Ribeirão Preto - Anivaldo Registro, diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior-3 (Deinter-3), admitiu que a superlotação das cadeias da região de Ribeirão Preto é uma das causas das fugas. O diretor disse que vai pedir ao governo do Estado a transferência de 220 presos da região para penitenciárias e Centros de Detenção Provisória (CDPs).

Das 42 cadeias da região, 20 estão superlotadas. O governo estadual anunciou que vai iniciar “em breve” a construção de dois centros de detenção em Franca e São Carlos. A cadeia de Cajuru, em reforma desde o ano passado, deve reabrir em breve, segundo o delegado Paulo José Piçarro.

A de Batatais foi interditada há seis meses, mas as obras começaram há apenas três meses e devem ser concluídas neste mês, segundo o delegado assistente da Seccional de Franca, Sidnei de Oliveira.

O prédio de Jaboticabal foi interditado em abril e a reforma começou em maio. O delegado Oliveira afirmou não acreditar que as reformas de cadeias tenham grande influência no excesso de detentos das unidades. “Hoje no Estado todas as cadeias estão superlotadas.”

*Ricardo Gallo e Ana Lígia Vasconcellos