O coveiro da Emdurb Edson Moreira da Silva teve duas missões no cemitério, ontem. “Visitei o túmulo de parentes e realizei um sepultamento hoje (quarta-feira). O hábito de trazer flores permanece nesses dez anos em que sou coveiroâ€, comenta.
Para Edson, a profissão traz gratificação pela colaboração em um momento de tristeza na vida das famílias. “A gente acaba sendo amigo das famílias naquele momento e se sente útil em um momento de tristeza. Eu aprendi a lidar com esse momento triste do sepultamento, mas é difícil não sentir um pouco da situaçãoâ€, opina.
O coveiro acrescenta que já se valeu da profissão para sepultar parentes. “Já sepultei uma tia que era minha segunda mãe. É muito difícil, mas tem que fazer. Todos têm que passar por isso na vidaâ€, finaliza. O Dia de Finados levou milhares de bauruenses aos cemitérios, ontem, mas a cena mais repetida em frente aos túmulos e cruzes foi a presença de pessoas rezando para parentes que se foram, sem deixar de utilizar flores e acender velas.
A ornamentação e enfeite dos jazigos formou um colorido nos corredores do frio ambiente dos cemitérios. A temperatura amena, com um pouco de vento gelado em alguns bairros como o Jardim Redentor, na tarde de ontem, também esfriou o comércio de sorvetes. A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) estimou que cerca de 70 mil pessoas passassem pelas necrópoles da cidade entre o último sábado e ontem.
No ambiente dos cemitérios, familiares não esqueceram de manter vivo o costume de homenagens de Finados. â€œÉ como um regulamento dos antigos que a gente repete todos os anos. Uma crença que a gente segue. Ninguém sabe o segredo, mas a gente vem e visita os parentes, oferece uma flor, acende uma vela e reza. Eu sigo o que minha mãe me ensinou, manter o hábito de homenagear quem já se foiâ€, conta José Xavier, próximo a uma cruz cercada por velas no cemitério do Jardim Redentor.
Para Vanderli Custódio, o ponto facultativo do dia de Finados é reservado a homenagens. “São entes queridos que precisam sempre ser lembrados. Eu rezo todo dia pelo irmão que perdi, mas em Finados eu venho todo ano. Faz cinco anos que perdi meu irmão e não posso esquecer dele neste dia especial. A gente reza também no túmulo pela alma delesâ€, conta.