Trocar experiências em relação à organização dos trabalhadores no campo e na cidade e ampliar as ações conjuntas contra a globalização e o projeto político neoliberal. Essas são as principais diretrizes retiradas do intercâmbio que culminou com a visita de centrais sindicais estrangeiras a Bauru, ontem.
A diretora estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Maria Izabel da Silva conta que a visita de um grupo de sindicalistas de diferentes países ao Brasil integra convênio firmado em 2003 para a troca de informações sobre a realidade dos trabalhadores.
Ontem, o grupo visitou o assentamento de agricultura familiar Terra Nossa, ligado à CUT, localizado na divisa entre Bauru e Pederneiras. O grupo conta com integrantes de centrais sindicais como a Comisiones Obreras de Astúrias e Asociación Paz y Solidaridad, da Espanha, Central Unitária de Trabalhadores de Concepción (Chile), Central de Trabalhadores de Santa Fé (Argentina) e Central de Trabalhadores de Pinar Del Rio (Chile).
“A partir deste convênio estamos debatendo a exploração dos trabalhadores e o projeto neoliberal. Os efeitos de demissão e pressão contra os trabalhadores são comuns a esses países que integram o convênio, mas cada um tem sua particularidade, como em Cuba onde os assentamentos integram ação de governo e como na Espanha onde assentamentos com agricultura familiar como este de Bauru não existemâ€, explica Maria Izabel.
A integração e troca de experiências vai levar a uma ação conjunta nessas localidades. “Queremos construir estratégias que minimizem os impactos da globalização no mundo do trabalho. Nesta semana o grupo também estará visitando assentamentos em Mogi Mirim e Avaré e fábricas em São Bernardo do Campo para ver a realidade do trabalho no segmento industrial. Temos algumas ações específicas sendo traçadas, como a reunião com bancários que enfrentam problemas com os patrões do Santander da Espanha e os sindicalistas desse país também enfrentam dificuldades láâ€, acrescenta Silva.
Antonio Pino, secretário geral do Sindicato Comisiones Obreras de Astúrias, Espanha, considera que os encontros e os seminários são ferramentas para a organização do grupo. “Os países que integram o convênio, através das centrais sindicais, vão proporcionar que a realidade e a estrutura de cada grupo seja discutido com os demais. Nosso objetivo é chegar ao encontro previsto no Chile, em 2007, com modelos de integração regional e intercâmbio formadosâ€, conta.
Pino comentou sobre as impressões tiradas na visita do assentamento Terra Nossa, na cidade. â€œÉ uma experiência que valoriza agricultura familiar para a subsistência, com o homem ocupando a terra para sobreviver e se desenvolver. Na Espanha não temos contato com essa realidadeâ€, menciona.
No calendário de ações deste ano esteve seminário na Argentina que avaliou se as estruturas sindicais respondem às necessidades dos trabalhadores. Ontem, na visita organizada pela subsede de Bauru da CUT, o grupo manteve encontro com sindicalistas e, à tarde, realizaram visita ao acampamento Terra Nossa.