10 de julho de 2026
Nacional

CPI cancela viagem aos EUA e deve divulgar mais 50 nomes de sacadores

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A CPI dos Correios cancelou por tempo indefinido a viagem que integrantes da comissão realizariam nesta semana aos EUA para tentar acesso à movimentação financeira do publicitário Duda Mendonça no Exterior. A CPI diz que não recebeu resposta do Departamento de Justiça daquele país nem da Promotoria Distrital de Nova York a respeito de audiências solicitadas.

Integrantes da comissão acusaram o Ministério da Justiça de não se empenhar no agendamento dessas reuniões e de não querer compartilhar esses documentos, que chegarão ao Brasil na próxima semana. Além do Ministério da Justiça, receberam autorização para acessar esses dados o Ministério Público e a Polícia Federal.

O Ministério da Justiça, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que “reafirma sua disposição de colaborar com todas as instituições para o avanço das investigações, mas tem de atuar de acordo com as normas legais”.

O presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), se reuniu com o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) no final da tarde de anteontem, quando a viagem já tinha sido cancelada.

Em depoimento à comissão, Duda disse ter recebido R$ 10,5 milhões nas Bahamas, em 2003, como pagamento de dívidas do PT relativas às campanhas eleitorais de 2002. Ele foi marqueteiro da campanha vitoriosa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os parlamentares querem rastrear a origem desse dinheiro.

Ao concordar com o repasse dos documentos às instituições brasileiras, a Promotoria Distrital de Nova York fez a ressalva de que esse material não deveria ser compartilhado com o Congresso brasileiro devido ao vazamento de informações sigilosas ocorrido na CPI do Banestado.

A CPI dos Correios deve apresentar na quinta-feira da semana que vem um relatório sobre a movimentação financeira do publicitário Marcos Valério em que lista 50 sacadores de suas contas ainda não identificados. Essas pessoas poderiam levar a mais deputados que teriam se beneficiado do esquema montado pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Relatório encaminhado pela CPI à Câmara dos Deputados, no final de agosto, listou 19 parlamentares passíveis de cassação por suposto envolvimento no escândalo do “mensalão”, a suposta compra de apoio pelo governo.

A versão de Delúbio e de Valério é que esses recursos, não declarados, foram usados para quitar dívidas de campanha. O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), que é sub-relator de movimentação financeira, deve pedir a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico desses 50 sacadores na próxima terça-feira para tentar rastrear o dinheiro. A lista total em poder da CPI tem 120 nomes.

A CPI investiga se o publicitário foi beneficiado com contratos públicos em troca da ajuda financeira concedida ao partido. As agências de Valério prestavam serviço para o Banco do Brasil, os Correios, Eletronorte e Ministério do Trabalho, mas os contratos foram revogados no curso da atual crise política.