A sociedade tem uma nítida impressão da realidade por que passa a Nação. Ela sabe investigar; sabe discernir especulações de realidades, o subjetivo do objetivo. As finanças públicas estão na mira do povo. A grande massa, mesmo sem conhecimento profundo, sabe intuir corretamente porque ela sabe como deve funcionar a administração pública. Para tanto, ela se mobiliza, investiga, exerce juízo de valor, não desvia a sua atenção e está intimamente relacionada com a situação de seus governos.
Para o administrador fechar suas contas basta elevar as taxas. Esse é o caminho mais curto e menos traumático porque assim ele não precisa dispensar ninguém, nem restringir investimentos ou frustrar novos projetos. Assim, a prática ou a habilidade ficam dispensadas para se tirar dinheiro do contribuinte. O orçamento federal em 2005 estravazou a casa dos R$ 12 bilhões. Esse estouro corresponde às despesas não-equacionadas. São contas cujos pagamentos ninguém sabe como financiá-las. Por isso o salário do contribuinte fica exposto a um esvaziamento cada vez maior. E, então, o poder público simplesmente eleva seu déficit ao alimentar a inflação. Infelizmente a história do Planalto já registrou que em 2002 um cidadão ganhou um gabinete no 4º andar do Palácio; em 2004, agora ex-assessor, é centro de várias investigações na Polícia Federal, no Ministério Público e na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro; e, parece que perdeu o gosto de falar nos telefones de sua casa a preferir os orelhões ao defender-se pela imprensa: “não sou ladrão, fui um operador político†(W. D.). Mas, quem paga as contas do governo? O surgimento de novas vítimas traz péssimos dividendos para a administração, e isso a menos de dois anos de uma eleição.
Já passou o tempo da disputada MP 232 onde o Fisco celebrou mais uma solapada no salário ao pretender compensar as perdas que teria com a correção da Tabela do Imposto de Renda na Fonte. Nesse afã acabou por acochar ainda mais o parafuso-ladrão para tantos quantos pretendessem abrir empresas de prestação de serviços para recolher menos tributos. Não por mero acaso, o governo acabou por unir entre si pessoas com relações comerciais nada comuns, mas uma vez favorecidas acabaram por alimentar o orçamento público. Não é difícil entender o mecanismo da terceirização entre empresas não afins, mas alimentadas pelo aumento do capital em prejuízo das fim-de-linha. Com isso, o governo visa compensar o aumento de gastos com a elevação de tributos. O melhor para o administrador público, neste passo, é repensar seu plano de gastos em reduzir os juros e aliviar carga tributária do povo. E, como proceder? Primeiro, discriminar e premiar fatos relevantes.
Pesquisas e estatísticas orçamentárias, mesmo que importantes, não servem em si mesmas de parâmetros objetivos para o alinhavo de uma peça orçamentária. Segundo, a espontaneidade do orçamento. Ela deve ser alimentada pela experiência ordinária, comum. Nada de análise meticulosa de detalhes variantes quando se percebe serem necessárias decisões rápidas e em consonância com a realidade em que a sociedade vive. Terceiro, não decidir em desfavor da população. O orçamento público não deve se basear em aparentes visões futuristas. A intuição do mundo objetivo é até lógica. Quem se apressa, pode errar contra o povo. O administrador não deve cometer tal insensatez. E, quarto, um orçamento público sustenta-se pela base sobre a qual está alicerçado: a população. O seu modus vivendi deve provocar no administrador a visão real da sociedade e de seus problemas.
O ser humano entende a realidade. E o faz ao pensar sobre a vida comum, ao elaborar sentimentos humanitários, ao ter sensações de euforia ou penúria, e, inclusive, ao ter sua maneira de intuir sobre a vida em sociedade. É assim que o cidadão comum observa o amanhã, confia nos seus pressentimentos, imagina, vê e elabora conscientemente o seu futuro, de sua família, de sua cidade e do seu País. (Rubin Slobodticov)