Nos últimos anos, o homem vem passando por diversas transformações e adaptações devido às mudanças exigidas por uma velocidade extremamente intensa que abrange todos os cantos de nossas vidas. Atualmente, o transcorrer do tempo é vertiginoso, ou seja, o tempo para o homem parece estar se tornando cada vez mais escasso, segundo Mario Sérgio Cortella, mestre e doutor em educação: “A cada dia, você levanta mais cedo e vai deitar mais tarde. E a satisfação de perda de tempo é constante”. Mas onde será que essa pressa louca pretende nos levar?
Hoje em dia, contamos com uma infinidade de serviços que, indubitavelmente, muito nos beneficia por sua praticidade e rapidez: a Internet, o celular, o fax, os caixas automáticos nos bancos, os caixas rápidos nos mercados, a urna eletrônica, em casa o microondas, o controle remoto, as máquinas fotográficas digitais, os lava-carros a jato, os fast-foods, aliás essa palavrinha, fast, está maciçamente presente no vocabulário atual. Significa rápido em inglês. Hoje em dia, tudo é fast, tudo é veloz, tudo é célere.
Há uns 20 anos, o músico Paulo Ricardo e sua banda se intitulavam e cantavam as Revoluções Por Minuto (RPM), que diziam: tem disco pirata, tem videocassete até ... esses já estão obsoletos e ultrapassados, com a chegada dos CDs e DVDs. A banda acabou se desfazendo, “tadinhos”, com esse título, nessa era de MP3, speed e banda larga, as revoluções estão mais para milésimos de segundo. O mundo pede passagem para correr, e muito.
A tecnologia teve um monstruoso avanço nos últimos anos. Realmente, ganhamos uma boa sobra de tempo no desempenho de tarefas e funções que outrora eram por demais demoradas e tediosas. E, por falar em tediosas, o tédio ainda encontra espaço em nossas vidas? Tudo indica que sim. Será que em todo esse processo o homem não estaria se escravizando e sendo atropelado por essa máquina de velocidade? Há de se tirar uns minutinhos para refletir sobre isso. Por trás de toda esta necessidade de engolir indigestamente o tempo, está qual ganho? É fato que os índices de depressão, estresse e estafa têm aumentado muito ultimamente. Estaríamos fazendo bom uso de nosso tempo?
A Bíblia, no livro de Eclesiastes, capítulo 3, versículo de 1 a 8, traz respaldo para esta reflexão: “tudo tem seu tempo determinado e há tempo para todos propósitos debaixo do céu”. Aí, está o gancho que deve nos saltar aos olhos. Apesar dos benefícios que a velocidade nos disponibiliza, devemos enxergar e entender que ela é ambígua e, em muitos aspectos, traz prejuízos também. Aproveitemos, sim, o dinamismo e a agilidade para ganhar tempo, mas vamos buscar empregá-los de forma mais saudável em nossas vidas a fim de manifestar mais uma virtude importante e que tem ficado esquecida: a paciência. Pois, sem ela, a humanidade não conseguirá preservar a relação de convivência e confiança entre as pessoas.
Hélder Fontana - RG 23.882.760-4