08 de julho de 2026
Polícia

Casal é preso com droga no estômago

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Após vários meses de investigação, a Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) prendeu S. C. V. R., 41 anos, e sua esposa, R. O., 45 anos, na madrugada de ontem quando eles chegavam na rodoviária de Bauru com 21 cápsulas de cocaína. A polícia apurou que o casal havia ingerido a droga na Bolívia e começou a expelir as cápsulas antes de chegar a Bauru, destino do entorpecente. Ao todo, foram apreendidos 500 gramas de cocaína, em 50 cápsulas. O casal correu risco de morte (leia mais ao lado).

Com a prisão do casal, os policiais da Dise chegaram a G. F. F., 28 anos, que receberia a droga para comercialização em Bauru. Ele também foi preso, num caso em que os policiais apontam características de tráfico internacional. A polícia não divulgou os nomes dos três presos. O casal, que reside na Vila Prudência, vinha da Bolívia e chegou a Bauru em um ônibus que partiu do Mato Grosso do Sul, segundo informações de José Henrique Gomes dos Santos, delegado titular da Dise.

Flagrado com cápsulas contendo cocaína, o homem acabou confessando aos policiais que havia engolido 50 unidades e a mulher, outras quatro. Ele foi encaminhado ao Pronto-Socorro Central e, posteriormente, ao Hospital de Base (HB), para exames e retirada das demais cápsulas.

Já a mulher, como já havia expelido todas as cápsulas, foi encaminhada para o Presídio Feminino de Cabrália Paulista. Eles, de acordo com Santos, receberiam R$ 500,00 cada um pelo transporte da droga. Em Bauru a cocaína chegaria a ser comercializada por R$ 20,00 o grama, o que renderia cerca de R$ 100 mil.

De acordo com o delegado, a mulher presa não possui passagem pela polícia, mas seu marido admitiu ter ficha por estelionato há muitos anos. O casal, assim como o rapaz que receberia a droga em Bauru, ficam sujeitos a serem julgados por tráfico de drogas, crime com pena prevista de três a 15 anos de reclusão e associação para o tráfico, pena de três a dez anos de prisão.

A cocaína apreendida com o casal é quase a mesma quantia recolhida em Bauru entre janeiro e setembro deste ano (veja quadro acima). Porém, no ano passado, por conta de uma grande apreensão do entorpecente escondido em cilindros cujo destino era a Europa, a soma chegou a 91 quilos.

Invólucros

O delegado titular da Dise conta que a prática geralmente usada para transportar droga no intestino é acondicioná-la bem em pedaços de luva cirúrgica. “Normalmente, corta-se o dedo médio de uma luva cirúrgica e dentro coloca-se de 10 a 12 gramas do tóxico. Depois, envolve o invólucro com um plástico”, comenta.

Para completar, a cápsula é envolvida por um outro plástico, mais espesso, que é queimado para selar por completo o invólucro. A cápsula fica com cerca de cinco centímetros de comprimento e espessura de um polegar.

Santos explica que uma pessoa consegue ingerir até 1,5 quilo de droga dessa maneira. “Existe até um treinamento que esses carregadores fazem. Ele é feito com gomos de uva itália e iogurte para ver se a pessoa realmente vai conseguir cumprir o trabalho”, revela.

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Tráfico internacional

O delegado José Henrique Gomes dos Santos, titular da Delegacia Sobre Investigação de Entorpecentes (Dise), explica que a cocaína apreendida ontem tem característica de tráfico internacional de drogas. O que chamou a atenção dos policiais no caso foi a forma como a droga foi transportada. “Engolir drogas acondicionadas dessa maneira é comum em casos de tráfico internacional”, aponta o delegado.

Ele ressalta que no tráfico internacional, o transporte da droga é feito por pessoas especialmente contratadas para a função. “Por dinheiro, elas colocam em risco a própria vida”, lamenta.