07 de julho de 2026
Leonardo de Brito

Em Confiança

Leonardo de Brito
| Tempo de leitura: 4 min

TREINADOR

De vez em quando alguém questiona: fulano de tal é técnico - ou cartola - mas nunca calçou uma chuteira. Não tem nada a ver. Questão de sorte. Para ser crítico de arte não precisa ser pintor ou escultor. Técnico consagrado que foi craque, só Telê Santana, creio. Vanderlei Luxemburgo foi um lateral-esquerdo modesto, nunca se firmando como titular no Flamengo e Botafogo. Mas Atualmente é o melhor treinador, ao lado de Luiz Felipe Scolari, que foi um modesto zagueiro de clubes pequenos do Sul. Mas jogaram, calçaram chuteira. Para mim, depois de Pelé, os melhores jogadores da história do futebol brasileiro foram, pela ordem: Garrincha, Nilton Santos e Ademir da Guia. Nilton Santos acabou desistindo da idéia de seguir como técnico. Nas raras oportunidades, passou pela humilhação de ser demitido do Bonsucesso e de um clube de Brasília, nas décadas de 70 e 80, respectivamente. O ‘Divino’, então, não emplacou nem dirigindo o juvenil do Marília há uns 10 ou 15 anos, não me lembro bem. De outro lado, Vicente Feola dirigiu a Seleção Brasileira campeã mundial pela primeira vez, na Copa de 58, na Suécia, e nunca ouvi falar que ele foi jogador. O Santos de Pelé, da década de 60, melhor time do mundo, era comandado por Lula, que segundo os historiadores, meus consultores, nunca calçou uma chuteira. Exemplo mais recente: Hugo Sanchez, principal jogador da história do futebol mexicano e maior ídolo do Real Madrid - depois de Di Stefano - foi demitido, por telefone, do cargo de treinador do Pumas, um emergente clube do México.

QUALÉ, CBF!

Assim como Émerson Leão e dirigentes do Palmeiras, não entendo a CBF. O clássico contra o São Paulo passou para o dia 12 do corrente, um sábado, às 18h10, no Pacaembu. Estava marcado para o dia 13, um domingo, às 16h, no Palestra Itália. O Alviverde protestou contra a mudança e com razão. Afinal, o tradicional Choque Rei já foi disputado no estádio palmeirense. Além disso, a CBF já marcou clássicos na Vila Belmiro, Volta Redonda e até na Ilha do Governador. O Palmeiras gastou recentemente mais de R$ 25 mil para melhorar a segurança. Por se tratar de um jardim suspenso, o Palestra oferece boa segurança, sim.

SOPA PARA O AZAR

Dando sopa para o azar: é exatamente isso que o Corinthians está fazendo nessa reta final do Campeonato Brasileiro. Depois de abrir oito sobre o vice-líder Internacional, o Timão perdeu para o Cruzeiro, três após empatar com o Vasco no Pacaembu. Foi a primeira derrota de Antônio Lopes na direção do Corinthians. Para a sorte dos corintianos, o Inter perdeu ontem para o Paraná, e o Alvinegro continua com a vantagem de seis pontos. No Mineirão, o Cruzeiro mereceu vencer.

DISTANTE

As duas últimas derrotas, para Cruzeiro e Ponte Preta, dificultaram o caminho do Santos para a Libertadores de 2006. Sétimo colocado, com 55 pontos, o Peixe está a seis do Goiás e nove do Fluminense. Apenas o campeão e vice têm acesso direto ao torneio continetal. Os clubes que ficarem na terceira ou quarta colocação terão que disputar um classificatório. Para isso, o Peixe precisa vencer a maioria dos seus jogos restantes e nada melhor do que fazer isso diante de um rival estadual. Domingo, o Santos enfrenta o Corinthians pela terceira vez neste Brasileirão. Na primeira, a vitória foi santista, por 4 a 2, mas o jogo foi anulado pelo STJD porque foi apitado por Edílson Peareira de Carvalho. Na reedição, o Timão venceu por 3 a 2. O Santos dispensou quatro jogadores, mas seu treinador continua deixando a desejar. Em nove jogos comandando o time, Nelsinho Baptista mais perdeu do que venceu - quatro derrotas e três vitórias.

DECADÊNCIA

O Bangu, campeão carioca de 1966 e vice-campeão brasileiro de 85, Era Castor de Andrade, está numa draga de dar pena. Além de rebaixado para a Segunda Divisão do Campeonato Carioca, o clube da Zona Oeste, conhecido também como ‘Mulatinho Rosado’, estaria vendendo sua sede social, em Moça Bonita, para a Igreja Universal.

MEMÓRIA

Campeonato Brasileiro de 1978: Palmeiras 4 x 0 Noroeste, no Pacaembu, gols de Toninho 2, Jorge Mendonça e Toninho Vanusa. Árbitro: Emídio Marques Mesquita. Público pagante: 14.609. Palmeiras: Leão; Rosemiro, Beto Fuscão, Alfredo e Pedrinho (Nei); Pires, Escurinho e Jorge Mendonça; Sílvio, Toninho e Vanusa. Técnico: Jorge Vieira. Noroeste: João Marcos; Borges, Jorge Fernandes, Araújo (Tobias) e Mauricinho; Ednaldo, Amadeo e Carlos Roberto Palito (Didi); Jorge Maravilha, João Carlos e Baroninho. Técnico: José Calazans.