10 de julho de 2026
Articulistas

Nosso homem em Havana


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Líder da oposição no Senado, José Jorge teve paciência para pesquisar as denúncias de roubalheiras no governo Lula e no PT. Até ontem, os escândalos totalizavam 13, justamente o número do PT. Tudo começou em Santo André, com o assassinato do prefeito Celso Daniel. Ali foi descoberto um esquema de distribuição de dinheiro para candidatos petistas. Depois estourou o caso Waldomiro Diniz, homem da confiança do ex-ministro José Dirceu. Em seguida veio a renovação ilegal do contrato milionário da Gtech com a CEF, que continua dando o maior auê na CPI dos Bingos. Destacam-se, ainda, os falsos empréstimos do PT tomados por Marcos Valério e Delúbio Soares; o mensalão; os desvios de dinheiro nos Correios e Furnas; o assessor do irmão de Genoíno com os dólares na cueca; os deputados do PT que renunciaram; o pagamento ilegal no exterior a Duda Mendonça; o irmão do ministro Palocci envolvido em propinas com uma seguradora de Goiás; o aporte de capital, no valor de R$ 5 milhões, feito pela Telemar a uma empresa em que o filho do presidente aparece como sócio; o caso Vavá, o irmão lobista de Lula e, por fim, a denúncia de Veja sobre o “dinheiro de Havana” - os três milhões de dólares que o companheiro Fidel teria enviado para a campanha de Lula em 2002. Reforça a lista a mais grave de todas as denúncias, ou seja, a prova provada daquilo que todo mundo já sabia: o dinheiro dos pseudos empréstimos de Marcos Valério e Delúbio Soares vêm da viúva, da verba de publicidade do Banco do Brasil, ou seja, sai do bolso do povo, se é que o povo ainda tem bolso.

Tais fatos e suspeitas têm um viés positivo: a República do Brasil nunca esteve mais resistente a tantos abalos desde a instalação do governo provisório do marechal Deodoro da Fonseca, em 1889. Ainda há os que são contra o impeachment de Lula e preferem deixá-lo sangrando até as próximas eleições. Esse pessoal é muito otimista e não conhece o eleitor brasileiro. Lula continua candidatíssimo e na Oposição ainda não surgiu um nome que capitalizasse todo o desgaste do Governo. Enquanto José Serra e Geraldo Alckmin discutem de quem é a vez, as pesquisas mostram que a queda de popularidade do presidente parou e que o Governo começou a recuperar pontos preciosos na avaliação dos pesquisados.

A oposição em nada tem ajudado para montar uma frigideira capaz de reduzir as gorduras sobrantes de Lula até reduzi-las a torresmo nas próximas eleições. É de estarrecer, por exemplo, a linguagem adotada pelo senador Artur Virgílio, líder do PSDB no Senado, para acusar o Governo, sem prova alguma, de que está sendo vítima de espionagem. O senador faz lembrar a política brasileira dos anos 50. Ameaçou aplicar uma surra, isso mesmo, uma surra no presidente da República se comprovado que sua família está sendo alvo de qualquer tipo de ameaça. Registre-se que o homem é diplomata de carreira. Imagine se não fosse. Ninguém pode se dirigir ao representante institucional de um País de maneira tão rastaqüera. Pior é que esse machismo amazonense encontra seguidor no neto do senador baiano Antonio Carlos Magalhães. O jovem deputado ACM “nato” deveria ter aprendido alguma coisa com o tio falecido, Luiz Eduardo Magalhães, espírito conciliador que deve continuar sua tarefa no além-túmulo. Preferiu seguir o avô que parou no tempo da UDN. O velho soba baiano, vez por outra, ainda tem uma recaída que o remete a um passado que não existe mais. Agora vem esse baixinho empertigado também falando em “dar uma surra”. Ainda vão acabar reelegendo o Lula...

Além da linguagem chula no parlamento, as denúncias vazias acabam também ajudando o operário-presidente. Baseada nas palavras de dois reconhecidos escroques a revista Veja acolheu denúncia segundo a qual o dinheiro de Havana teria chegado em duas caixas de bebidas. Lá em Minas já mataram a charada: se veio alguma coisa de Havana na campanha de Lula, certamente não foi nada além da famosa cachaça fabricada em Salinas, no Norte de Minas, por onde o PT fez, na última eleição, o prefeito, e que tinha o nome de Havana.

Aliás, tenho uma garrafa da cachaça marca “Havana”, que o Cabral me deu e nunca tive a coragem de experimentar. Principalmente depois que constatei em Belo Horizonte que um litro dessa relíquia, de rótulo tosco e garrafa fechada com uma simples tampinha, custa imorais R$ 900,00. É pinga para Lula nenhum botar defeito.

O autor, Zarcillo Barbosa, é jornalista e colaborador do JC