08 de julho de 2026
Mulher

Ataque aos pêlos

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 5 min

Se no passado as mulheres contavam apenas com a lâmina de barbear para se depilar, atualmente elas encontram um arsenal de opções para extrair ou cortar pêlos indesejáveis.

A dermatologista Maria Tereza Nakandakari explica que é preciso ter cautela na escolha dos métodos, priorizando a higiene (confira outros cuidados no quadro abaixo) e a sensibilidade de cada pele. “O problema maior, entre todos os métodos, é o exagero na freqüência. A depilação constante pode provocar espessamento na pele ou manchas escuras nos locais depilados”, diz.

Entre as novidades, destaca-se a depilação a laser, que, apesar do alto custo, pode diminuir com eficácia a quantidade de pêlos, aponta a depiladora Fernanda Maria de Paula Fagnani Sartori, que atua há 15 anos na área.

“O laser diminui em até 70% a quantidade de pêlos. Não existe depilação definitiva, mas o método ajuda a resolver o problema dos poros. Os pêlos deixarão de encravar, ou seja, não nascerão dois ou três pêlos no mesmo poro. Em conseqüência eles se tornarão mais finos e a depilação ficará menos dolorida”, diz.

De acordo com Nakandakari, o laser é indicado para pequenas áreas do corpo e do rosto, como o buço. Conduzido por um aparelho específico e baseado em ondas de laser, o procedimento deve ser realizado por um profissional qualificado. Se for indevidamente aplicado, pode provocar queimaduras ou cicatrizes na pele.

Além do laser, a depilação por eletrólise ou eletrocoagulação, feita por intermédio de agulhas, também deve ser realizada em clínicas especializadas, destaca Nakandakari. Ela ressalta que todo o material usado precisa ser descartável e individual, pois há risco de contaminação pelos vírus das hepatites.

“Se a depilação for mal feita, ela pode causar danos irreversíveis e levar ao encravamento constante; conseqüentemente, isso pode provocar foliculite crônica (inflamação dos pêlos). Se o local depilado for afetado pela infecção, também pode ocorrer transmissão de doenças virais, como a herpes simples”, alerta a dermatologista.

Ceras

A tradicional cera é outro método para remoção de pêlos. Quentes ou frias, elas possuem diversas fórmulas, entre elas as caseiras, feitas com breu da abelha ou com a mistura de mel, açúcar e limão. Indicada geralmente para a região da virilha e das pernas, a cera quente dilata os poros e elimina os pêlos por até um mês.

Nakandakari ressalta que a técnica é mais agressiva e não deve ser aplicada nas axilas. “Nessa região há muitos vasos sangüíneos e glândulas, que podem ser obstruídos e sofrer inflamações”, diz. Segundo ela, a lâmina - considerada um dos métodos mais práticos e baratos - é ideal para remover pêlos dessa área, mas é preciso ter cuidado para não cortar a pele.

Já a cera fria pode ser comparada a uma fita adesiva, na qual os pêlos são “colados” e retirados junto com o material utilizado. Por não extrair o pêlo direto da raiz, ela é ideal para o rosto, como o buço, aconselha Sartori.

A cera fria também é usada no método roll-on, aparelho eletrônico que “puxa” os pêlos. A técnica pode ser realizada em casa, mas não é indicada por Sartori. “O roll-on dói muito, não tira o pêlo pela raiz e se assemelha à uma depilação feita à lâmina”, diz.

Outra técnica caseira são os cremes depilatórios, encontrados em lojas de cosméticos, farmácias e alguns supermercados. Eles agem quimicamente, desintegrando a estrutura dos pêlos e deixando-os cair.

Sartori alerta para a possibilidade de alergias decorrentes da fórmula. Nakandakari concorda com a depiladora. “Os cremes agem rápido, mas podem irritar a pele”, observa.

Pele dourada

Para quem prefere não depilar certas regiões do corpo que possuem menos pêlos, entre elas coxa, barriga e antebraço, uma das técnicas indicadas é o banho-de-lua.

Muito utilizada em cidades litorâneas, ela clareia os pêlos sem extraí-los. “Antes da aplicação do produto é passado um óleo mineral para evitar alergias na pele e o material é feito com pó descolorante e água oxigenada de 30 ou 40 volumes”, detalha Sartori.

Além de contar com diversas opções para a depilação, há ainda alguns método para facilitar e tornar menos dolorido esse processo. Uma delas é a esfoliação corporal, que elimina as células mortas e contribui para que os pêlos não encravem. A técnica, porém, precisa de atenção especial, enfatiza Nakandakari

“Não é aconselhável esfoliar a pele imediatamente antes da depilação porque se o método for agressivo haverá maior irritação na região”, diz a dermatologista.

Outra dica, recomenda Sartori, é para que as mulheres evitem se depilar nos dias que antecedem a menstruação. “Normalmente a mulher está com TPM, a pele está mais sensível e costuma doer mais”, aponta.

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Dicas

• Evite exposição ao sol alguns dias antes e depois da depilação

• Preste atenção se a cera é reaproveitada, pois há risco de transmissão de fungos e bactérias

• Evite passar a cera em grandes áreas do corpo para agilizar o processo; isso pode facilitar o encravamento dos pêlos

• Não depile áreas irritadas, queimadas, feridas ou inflamadas

• Evite o uso de cremes hidratantes antes da depilação, pois eles dificultam a aderência da cera e podem machucar a pele

• Não massageie a área depilada com bucha vegetal; o atrito provoca o espessamento da pele e o encravamento do pêlo

• Ocorrendo sangramentos, aplique algum antibiótico tópico, em creme ou gel

• Após a retirada dos pêlos, não use roupas justas

• Evite o uso de desodorantes ou qualquer produto contendo álcool em sua fórmula, o que pode irritar a pele

Fonte: Maria Tereza Nakandakari