Nem mesmo as estradas que cortam Bauru estão livres das lendas que se espalham pela cidade. Muitas delas são contadas por caminhoneiros, outras por viajantes, mas ninguém conhece essas histórias tão bem quanto os policiais rodoviários. Íntimos de cada quilômetro das rodovias da região e, na maioria das vezes, os primeiros a chegar no local da ocorrência, eles já viram de tudo: batidas, atropelamentos, capotamentos, mortes, etc.
Mas algo bastante incomum e que acontece de tempos em tempos deixa grande parte desses policiais intrigados até hoje. Por várias vezes, a base da Polícia Militar Rodoviária, localizada no km 338 mais 400 metros (sentido Bauru-Botucatu) da rodovia Marechal Rondon, teria sido informada por motoristas que passavam pelo local sobre a passagem de pedestres no km 236 da mesma estrada, mais especificamente no trevo que dá acesso à rodovia que liga Bauru a Jaú, próximo à Chácara da Eny.
Naquele trecho, uma mulher de mãos dadas com duas crianças teria sido vista por diversas pessoas em diferentes ocasiões tentando atravessar a estrada, causando pânico nos motoristas, que eram surpreendidos com o comportamento arriscado da transeunte. Como os alertas ocorriam com freqüência, alguns policiais foram até o local para averiguar se a ocorrência envolvia alguma moradora daquela área. No entanto, nada constataram.
Foi quando alguns policiais da base, que preferiram não se identificar, decidiram investigar melhor o que poderia estar ocorrendo. Estacionaram a viatura num local em que não pudessem ser vistos, mas de onde era possível avistar o ponto onde a mulher com as duas crianças costumavam atravessar.
Os policiais ficaram lá, de campana, por horas, mas não avistaram nenhuma mulher com crianças. Porém alguns acontecimentos inexplicáveis despertaram a atenção deles. “Os automóveis que trafegavam por aquele ponto freavam bruscamente, mudavam de faixa de repente e até buzinavam sem nenhum motivo aparente, como se estivessem tentando evitar uma colisão contra algo ou alguém.
Um fato curioso, relata um dos policiais que participou da operação, é que, de acordo com os próprios policiais, vários acidentes aconteciam naquele trecho quando a rodovia ainda não era duplicada, pois o trevo era em nível. Além disso, durante a construção da ponte, alguns veículos caíram no local.
Segundo esses policiais, desde a duplicação da Marechal Rondon esses fenômenos sobrenaturais começaram a ocorrer, inclusive pessoas dizem ouvir gritos durante à noite. Até mesmo uma seita religiosa teria realizado cultos naquele trevo para tentar fazer contato com as almas que vivem por lá.
Oficialmente, o comandante da Base Operacional da Polícia Rodoviária de Bauru, sargento Elias Lourenço Carneiro, afirma que as visões dos motoristas podem ser causadas em virtude do sono e do cansaço, uma vez que a maioria das aparições ocorrem no período noturno. Quanto aos relatos dos policiais, Carneiro acredita que o próprio estresse de trabalho provoca situações ilusórias que acabam confundindo o discernimento dos patrulheiros.
____________________
Outras histórias
Outra lenda contada pelos policiais rodoviários mais antigos da corporação envolve um acidente de carro próximo a um acostamento.
De acordo com a história, enquanto fazia patrulhamento de rotina por uma das estradas da região, um policial rodoviário avistou uma mulher acenando desesperadamente no acostamento. Ao descer da viatura, ele percebeu que a moça estava bastante pálida e agitada.
A mulher disse que estava dentro de um automóvel que perdeu o controle, capotou várias vezes e caiu numa ribanceira. Alertou que haviam mais pessoas precisando de socorro dentro do veículo. Imediatamente ele pediu auxílio pelo rádio e desceu o barranco para socorrer as vítimas.
Quando alcançou o carro, encontrou duas crianças bastante feridas no banco traseiro. No entanto, o condutor do veículo estava em silêncio, imóvel. Após ajudar as crianças, o policial foi prestar auxílio ao motorista e ficou espantado quando percebeu que a pessoa morta na direção era a mulher que havia pedido socorro no acostamento. Pouco depois, foi apurado que ela era a mãe das crianças sobreviventes.