08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Um tiro no dedão


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Muito me admira a coragem da Rede Globo de Televisão em apostar todas as sua fichas no sonho meio alucinado do linense Mário Prata. Estou a me referir, é óbvio, à telenovela “Bang bang”, das 19h, cuja estréia aconteceu em 3 de outubro próximo passado, e que, a despeito de contar com expressivos medalhões globais no seu elenco, ainda não disse bem a que veio, com uma trama chegada a um western, estilo surradamente esgotado por norte-americanos, italianos e adjacências. Vários pontos chamam a atenção na obra em tela, cujo autor já foi o primeiro a pular fora do barco, como, por exemplo, a linda Fernanda Lima, fazendo uma Diana Bullock totalmente fake, uma espécie de Ricardo Macchi (o cigano Igor de “Explode Coração”) de saias, mas fazer o que, se nem atriz a moça é? O efeito “Dona Roma”, transformando Kadu Moliterno e Evandro Mesquita, os famigerados Jesse James e Billy the kid, nas irmãs Naides, a picaretagem explícita do xerife Patrick Gogol e seu fiel escudeiro Rush, que simplesmente afanaram as estrelas e carta do verdadeiro homem da lei, morto no deserto, a frescura total do herói Zorro, com agá no final, jogando água fora da bacia, e Tonto, promovido a telefonista. Todavia, menção honrosa para Marisa Orth, que está simplesmente impagável como a beata Ursula, provocando muitas risadas com as suas presepadas, em síntese, a salvação da lavoura Albuquerqueana. Enfim, vamos dar um crédito e ver se “Bang bang” decola, ou então se transforma num auto-atentado.

Marcos Vieira da Silva - Iacanga