Após anos sendo alvo constante de críticas negativas, as escolas estaduais de Bauru apontam índice promissor: a diminuição da violência nos colégios. Segundo levantamento da Diretoria Regional de Ensino, em 2004 foram registradas 61 ocorrências policiais envolvendo as 51 escolas estaduais. Até outubro deste ano, o órgão contabilizou 34.
Uma outra pesquisa, feita pelo Instituto Ayrton Senna que em Bauru desenvolve o programa SuperAção em 15 escolas estaduais, aponta queda de 36% nas ocorrências de violência. A Polícia Militar de Bauru também possui dados estatísticos sobre violência escolar, mas a Secretaria Estadual de Segurança não autorizou a divulgação do índice.
Diretores das escolas, representantes de conselhos de segurança e da Polícia Militar apontam como um dos principais fatores que contribuíram para essa queda os programas de participação comunitária nos estabelecimentos de ensino. Um deles é o Escola da Família, que abre os estabelecimentos de ensino à comunidade aos finais de semana, o outro é Jovem Construindo a Cidadania (JCC).
Porém, ainda não falta quem analise o resultado das pesquisas com desconfiança, afirmando que os colégios continuam tão perigosos quanto no final da década de 90, quando até mortes ocorreram em estabelecimentos de ensino.
Segundo os dados divulgados pela Diretoria Regional de Ensino, apenas a escola Professor Ayrton Busch, que fica no Parque Jaraguá, não reduziu o número de ocorrências, mas segundo os especialistas, o grau de violência das ocorrências diminuiu. “A maioria dos registros remete à depredação do prédio. Aquela violência pessoal, ameaças e agressões, caíram drasticamente”, observa Paulo Maximino, assistente técnico de planejamento e dirigente de ensino em exercício.
Pela estatística da Diretoria de Ensino, das 51 escolas estaduais de Bauru, apenas 16 apresentaram esse tipo de ocorrência. Os outros colégios da lista são Ernesto Monte, Ana Rosa Zuicker D’Anunziata, Stela Machado e Walter Barreto Melchert. Atualmente, a depredação dos prédios das escolas é a ocorrência mais comum. No Ernesto Monte, a diretora Heloise Helena Cerqueira de Souza afirmou que o crime é corriqueiro, mas é praticado muitas vezes por pessoas de fora. “Eles pulam o muro e deixam seu recado”, conta.
Para tentar coibir esse tipo de vandalismo, a diretora conta com apoio de artistas da própria escola, que estão cobrindo as pichações com grafites. Apesar da depredação, a violência entre os 1.300 alunos da escola Ernesto Monte não é freqüente, explica a diretora, mas a indisciplina e os conflitos entre colegas têm data certa para acontecer: o início do ano letivo. Souza explica que muitos alunos novos chegam ao colégio e buscam sua afirmação. “Até acertar a classe, demora. Aí nesse tempo surgem as turmas e as rivalidades”, observa.
____________________
Programas educativos
O capitão Jorge Duarte Miguel, comandante da 1.ª Cia da PM, concorda que houve uma sensível queda na violência. “Creio que a redução tenha ocorrido, pois a Polícia Militar, as escolas e a comunidade estão trabalhando muito para isso”, diz. Ele cita o projeto de Ronda Escolar, patrulhamento especial que atua das 6h30 às 23h, principalmente nos horários de maior movimentação nos colégios e que envolveu os policiais na realidade da escola, como um projeto de sucesso que contribui para essa queda.
“Os policiais que atuam na ronda passaram por cursos e treinamentos que possibilitam essa interação com o cotidiano escolar”, aponta. Miguel também cita a participação do Programa de Erradicação das Drogas (Proerd) neste processo. Desde 1995, o projeto já atendeu 55 mil alunos na rede estadual de Bauru, num curso onde o tema é a conscientização sobre a importância da luta contra as drogas.
Outros programas apontados pelo capitão são a Escolinha de Ciclismo, o Gorro Amarelo, projeto de educação no trânsito trazido do Japão e que aborda a prevenção criminal, e também o Jovens Construindo a Cidadania (JCC). O JCC, segundo Primo Mangialardo, vice-presidente do Conselho Municipal de Segurança (Conseg) Centro-Sul, é um programa que levou segurança para dentro das escolas. “O policial faz parte da comunidade e quanto maior a sua presença nas escolas, melhor”, considera.