Para a coordenadora do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Suzy da Silva, apesar dos indicativos de queda, a violência nas escolas é constante. “Principalmente no relacionamento aluno-professor. A falta de respeito é evidente”, lamenta a sindicalista.
Uma professora de história e geografia, que leciona no Parque Santa Edwirges e preferiu não se identificar, afirma que a violência nunca esteve tão presente nas salas de aula. “Principalmente alunos de 7ª série e 1º colegial (atual ensino médio). Soltaram muito suas rédeas e eles não respeitam mais nada. Nem professor, nem diretor, nada”, critica.
A situação, segundo a professora, é a pior das últimas décadas. “Leciono há 25 anos e nunca vi um desrespeito assim. Na minha opinião ninguém, tem condição de ensinar nada”, afirma.
Para ela, os diretores são omissos quanto à violência. “Em algumas escolas sofremos ameaças de alunos. E quando questionamos isso na direção, eles afirmam que isso é situação geral. Ora, se é geral, tem que mudar. Não podemos nos conformar com isso”, critica a professora.
Os diretores se defendem apontando que muitas vezes o relacionamento entre alunos e docentes já começa prejudicado por uma postura do próprio professor. “Infelizmente ainda existem professores que acreditam que uma postura autoritária é a solução”, observa Paulo Maximino, da Diretoria Regional de Ensino.
“Eu realmente acredito que o que falta é limite para o aluno, saber até onde eles podem ir. Mas quando eles excedem, não há nada que uma boa conversa não resolva”, acredita Heloise Helena Cerqueira de Sousa, diretora da escola estadual Ernesto Monte.
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Briga
Às vezes uma simples discussão entre alunos podem tomar proporções maiores. Na tarde da quinta-feira passada, por exemplo, quando uma briga entre dois estudantes da escola estadual Azarias Leite acabou com intervenção policial. Um menino de 13 anos e uma colega de sala de 11 trocaram agressões na fila da merenda.
Os pais dos pré-adolescentes foram chamados e na presença deles, segundo conta o pai da menina, o garoto ameaçou a vida da sua filha. A diretora do colégio, Gilda Maria de Oliveira Santos, afirma que a polícia foi chamada porque o pai da menina queria resguardar a sua segurança. “Foi por prevenção”, esclarece a diretora.
O pai, no entanto, ainda teme pela segurança da menina. “Não conheço o garoto nem sua família, como vou saber se nada vai acontecer novamente”. Para ele houve omissão da escola. “Eles deveriam zelar pelas crianças”, critica. O menino não estuda mais no colégio Azarias Leite foi transferido para outro no bairro.