08 de julho de 2026
Articulistas

República em transe


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O que comemorar este ano na data de proclamação da República brasileira? Tivemos a consolidação da democracia, depois de quase duas décadas de ditadura militar. Mas ainda estamos longe do país decente, justo e solidário que almejamos. Muitos dos nossos políticos, que deveriam ser os primeiros a dar exemplo, estão dando um espetáculo vergonhoso de mau-caratismo, sem precedentes em nossa história. Nunca tivemos uma crise política tão aguda e tão ampla, como a que vivemos este ano, sem que ainda tenhamos passado a limpo o Brasil, com risco, inclusive de terminar tudo isso na maior pizza da nossa história.

Os deputados acusados estão fazendo de tudo para salvar suas peles, se apegando ao máximo em todos os recursos e instâncias, para não perderem seus mandatos, tudo em nome da legítima defesa. Um deles, Sandro Mabel, já foi absolvido. O único degolado pela Câmara, acabou sendo beneficiado por uma aposentadoria de quase 9 mil reais por mês, uma vergonha quando se sabe que milhões de brasileiros não conseguem pagar suas contas básicas, pois o que dá para fazer com um salário-mínimo de trezentos reais?

O ex-Ministro José Dirceu está 24 horas por dia trabalhando para provar sua inocência, dizendo que não sabia nada do esquema do valerioduto, dos mensalões e mensalinhos e outras benesses, quando ele era o primeiro ministro ou capitão do time (como o chamava Lula) do governo. Nada sabia do que acontecia no governo e da mega-trapalhada envolvendo seu Partido, de que foi Presidente. Ninguém sabia de nada. Moral da história. Está tudo como antes no quartel de Abrantes.

A deputada federal Ângela Guadagnin disse que o deputado José Dirceu tem o direito da ampla defesa, pois, segundo ela, até agora, não há nenhuma prova concreta contra o ex-ministro da casa Civil e o Brasil vive onda de denuncismo irresponsável. É certo. Esperemos então esgotar os prazos.

Enquanto isso, o tempo vai passando e muitos deles vão ganhando tempo, achando que logo a imprensa começa a noticiar outros fatos, a atenção é desviada para outros focos e então  estarão todos a salvos do tsunami que ameaçou limpar o Congresso Nacional. É verdade que não podemos nos precipitar, acusando sem provas. Mas, será que tudo o que assistimos, perplexos, neste 2005, terminará como o título daquela peça de Shakespeare: “Muito barulho por nada?”

Esperamos, ao menos, que a população brasileira se manifeste em outubro de 2006, com o seu voto, pois o próximo pleito, será, sem dúvida, a eleição da moralidade. Não dá mais para aceitar a retórica daqueles que falam uma coisa e fazem outra. O povo brasileiro merece respeito. Temos que acreditar que seja possível afirmar a dignidade e os valores humanos em nossas ações. Penso que cada um terá condições de avaliar os resultados desse governo e depositar, em 2006,  nas urnas, uma posição com mais discernimento, para bem do Brasil e de todos  que querem o melhor para o País.

O autor, Valmor Bolan, é doutor em sociologia, reitor da Universidade Guarulhos, vice-presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras e diretor geral da Faculdade Editora Nacional - Faenac - e-mail: valmorbolan@faenac.edu.br