08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Quem vai pagar?


| Tempo de leitura: 2 min

É nos momentos em que mais precisamos que, por incrível que pareça, não encontramos ninguém. Hoje pela manhã, ao tomar o ônibus linha Vila Dutra - câmpus Ipmet, como de costume, para ir trabalhar nas proximidades do supermercado Paulistão, da avenida Nações Unidas, notei que o circular não tinha a presença do tão útil cobrador. Já pressenti que coisa boa não ia dar aquilo. No decorrer da viagem, ao notar o desespero do motorista em fazer troco de 1,60 para cada usuário da linha e que os minutos se esvaiam, a conversa entre os que já estavam no coletivo era só uma: “Hoje chego atrasado no trabalho!”. Sentimento de frustração de muita gente, já fazendo-se recordar das últimas eleições municipais, outros nem tanto. Por fim, o ônibus, que não levava diariamente mais do que 25 minutos para atingir o meu ponto, levou exatos 50 minutos, ou seja, dobrou-se o tempo da viagem! Pergunto eu, agora: - Como todos os dias não mais haverá cobrador, chegarei eu todos os dias atrasado quase 30 minutos no meu trabalho? Terei eu que acordar 1 hora mais cedo, para pegar também um ônibus 1 hora mais cedo para ver se consigo ainda chegar 5 minutos atrasado? Ou será que terei que recorrer àqueles órgãos que ironicamente foram criados para lutar por meus direitos e pelos direitos dos demais usuários? Onde está o Conselho de Usuários neste momento? O que cada membro faz neste conselho? Será que eles permitiram que mudanças fossem feitas, sendo essas mudanças de teor nocivo à população? Onde estão os nossos vereadores? O que acham do nosso sistema de transporte coletivo? O que têm feito eles para olhar para a população usuária do serviço? Onde está o sindicato dos funcionários destas empresas de ônibus, que simplesmente acataram a decisão do patronado em se colocar as tais catracas eletrônicas e nada fizeram por aqueles que tem porcentagens descontadas mensalmente de seus salários? Onde está a Emdurb, o seu presidente? Será que eles têm interesse em resolver o impasse gerado entre as empresas e o povo? E as empresas? Que além de mandarem os cobradores embora, ainda aumentaram o valor da tarifa comum e da integrada.

O que falar das empresas? Deixo aqui o meu manifesto e gostaria de ouvir as partes cada qual com uma desculpa, mesmo que esfarrapada, já que ninguém vai pagar essas horas que de mim foram descontadas...

Marcelo Machado