Desisto! Resisto! Não sei! Cancelamos a festa dos 30 anos de “Errare humanum est”, por falta de vontade política, cultural, financeira, datas, horários... enfim: can-ce-la-mos!
Continuo acreditando que “Errare humanum est”, que estreou em 11 de novembro de 1975 na cidade, marcou um momento cultural, foi um divisor de águas, queiram os inimigos ou não. Neste mesmo momento, tinha uma revista chamada “Alternativa” (e para aqueles que não acreditam e não apoiam nada da cultura bauruense, tenho os três primeiros números guardados... é só procurar que eu empresto!); naquele momento tinha um Cine Clube que funcionava; naquele momento tinha um grupo de poesia, “Apenas”, que fazia um sucesso extraordinário; um pouco depois apresentamos no BTC - sob a presidência de Moussa Tobias, sempre ajudando a cultura - “A revista do Henfil”, com a Ruth Escobar; trouxemos “Investigação da classe dominante”, “Murro em ponta de faca”, “Lição de anatomia”, “Escuta Zé Ninguém”... fazíamos isso tudo com apoio do Preve-Objetivo... entendo que os ideais hoje são outros e os empresários não querem saber de 30 anos atrás... paciência. A política mudou...
Cancelamos, mas espero que o JC não esqueça de retratar, não sei se a palavra é essa, ao menos, os 30 anos de um momento fértil da cidade.
Saramago disse que a “idéia de utopia prejudica mais do que beneficia a espécie humana, pois não temos a certeza de que o futuro esteja disposto a cumprir nossos anseios. Devemos transformar nossa realidade, não esperar que se modifique naturalmente e só se encontre no futuro o resultado dessa transformação”.
À Chiquito Produções, desculpas, à minha filha Talita, que batalhou para que as comemorações saíssem, desculpas; o pai começa a deixar de ser utópico, vai continuar com seu Curso Livre de Teatro - o seu ganha-pão... não espero nada de ninguém, Saramago falou!
Paulo Neves - professor e jornalista, ex-utópico