08 de julho de 2026
Nacional

FHC e Serra ironizam Lula

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - A piada contada duas vezes. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o prefeito de São Paulo, José Serra, recorreram ontem à mesma ironia ao comentar a entrevista de véspera do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao programa “Roda Viva”.

Os dois disseram que Lula se comporta como o Pedro Álvares Cabral -o descobridor do Brasil- ao assumir a paternidade de todas as benesses praticadas no país. “O que eu não gosto é dessa história que parece que é Pedro Álvares Cabral: descobriu o Brasil. Tudo é pela primeira vez, pela primeira vez”, reagiu FHC, em entrevista à rádio CBN, usando usando como exemplo a menção que Lula faz ao Bolsa-Família. “Ficaria muito satisfeito também se ele dissesse uma coisa que é verdadeira: “Olha esse programa Bolsa-Família está avançando muito, mas ele veio do programa Bolsa-Escola, de assistência à gestante, de Bolsa-Alimentação.”

Ao falar especificamente dos números apresentados por Lula na comparação da atuação dos dois governos no combate ao desemprego, FHC chamou de deselegante a atitude do presidente. “Tomara que [a economia] cresça mais. Estou torcendo a favor. Não estou torcendo contra, não. O que não é elegante é ficar comparando o tempo todo e usando dados fragmentados para dizer “eu sou o bacana, sou o melhor’. Precisa de um pouco mais de humildade.”

Segundo FHC, “Lula não é bom em estatística” e repete números errados sobre os postos de trabalho criados em seu governo. “Alguém tem que dizer “Presidente, preste atenção nos números que está dando. Não é assim’.” Em Brasília, Serra também sugeriu que o presidente faz bravatas. “Daqui a pouco o Lula vai dizer que quem descobriu o Brasil não foi Pedro Álvares Cabral, mas foi ele mesmo.

De repente aparece como autor de tudo”, ironizou Serra, segundo o qual “até as paredes do Congresso sabem que existiu [o mensalão]”. Questionado sobre a coincidência, FHC afirmou que não é a primeira vez que faz o comentário. Serra, por sua vez, brincou: “Pode mudar para Marechal Deodoro da Fonseca: daqui a pouco o Lula vai dizer que foi ele, não o Deodoro, que proclamou a República”. FHC recomendou “modéstia” ao presidente para reconhecer os méritos dos antecessores. “Cada um puxa um pouco (para si). Mas é demais”, afirmou.

O tucano chegou a mencionar o ex-presidente Fernando Collor de Mello, para ilustrar seu ponto de vista. Para FHC, a política econômica “é boa” porque “é a mesma” praticada em seu governo e, ontem, Lula colhe, direito, os frutos do passado. “O presidente Lula poderia ter uma certa modéstia. Nem é modéstia. É veracidade. Ninguém sai da estaca zero”. “Por exemplo: a Secretaria do Tesouro foi feita pelo presidente Itamar Franco, a abertura da economia começou pelo presidente Collor”, lembrou, cometendo um equívoco: a Secretaria do Tesouro Nacional foi criada, em março de 1986, no governo Sarney.

Segundo FHC, ao assumir a responsabilidade pela crise, Lula se coloca numa “posição delicada”. “E se se provam que tudo isso que está sendo dito?”, perguntou. FHC foi irônico ao comentar a visita do presidente americano George W. Bush à Granja do Torto, em visita ao Brasil. “Os dois têm boa química, um gosta do outro, qual é o mal nisso? Eu gostava do Clinton, ele gosta do Bush. Gosto não se discute”.

Como Pinóquio

Outros políticos reagiram com ironia à entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao programa “Roda Viva”, exibido anteontem à noite pela TV Cultura. “Para mim, a melhor definição do desempenho do presidente foi feita pelo deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS). De fato, Lula deveria mudar seu nome para Lulóquio”, disse o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia. “O presidente se segurou no primeiro bloco do programa, mas depois mentiu muito”, afirmou.