08 de julho de 2026
Geral

Parturiente do SUS terá acompanhante

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A partir de segunda-feira, as mulheres que internarem-se para dar à luz na Maternidade Santa Isabel em Bauru pelo Sistema Único de Saúde (SUS) poderão levar uma acompanhante. A própria parturiente deve indicar a pessoa que, obrigatoriamente, precisa ser do sexo feminino. Após receber o crachá, a acompanhante terá livre acesso ao quarto da paciente antes e após o parto, podendo inclusive, passar a noite no hospital.

A permissão da acompanhante faz parte do programa de humanização do parto já recomendada pelo Ministério da Saúde, explica Reinaldo Rocha, superintendente da Associação Hospital de Bauru (AHB), entidade que administra a Maternidade Santa Isabel, o Hospital de Base e o Hospital Manoel de Abreu. “O objetivo é que a acompanhante dê mais tranquilidade à parturiente, principalmente as que estão no primeiro parto”, frisa.

Rocha explica que não serão aceitos acompanhantes do sexo masculino porque as parturientes atendidas pelo SUS ficam em quarto coletivo, o que causaria constrangimento às mulheres. “Os quartos são para três e quatro pacientes. Não teria como colocar, num mesmo espaço, acompanhantes homens”, diz.

Mas o superintendente da AHB avisa que a acompanhante terá de acomodar-se em uma cadeira ao lado da cama da paciente, sem direito à refeição servida no hospital. “Mas pode sair e voltar a hora que quiser”, comenta. Atualmente, em internações pelo SUS, a Maternidade Santa Isabel permite acompanhante somente às parturientes menores de 18 anos e com complicações de saúde, de acordo com Rocha.

As demais parturientes têm direito a visitas diárias, das 16h às 18h. Já outro direito da parturiente, de quem uma pessoa de sua escolha – do sexo feminino ou masculino – acompanhe o parto, conforme prevê a lei federal 10.241, de 17 de março de 1999, ainda não é garantido na Maternidade Santa Isabel (leia mais nesta página). Rocha justifica que a unidade de saúde está se preparando para ter condições físicas de permitir que os pais acompanhem os partos sem que a privacidade da parturiente seja mantida.

Por mês, na Maternidade Santa Isabel são realizados entre 300 e 350 partos, cerca de 90% pelo SUS. Esperando alta após ter tido o quarto filho, Magda Aparecida Ribeiro Pimenta, 36 anos, que teve parto cesariano aprovou a novidade. “Acho que é bom sim ter uma acompanhante porque assim a gente não chama tanto as enfermeiras. Tem alguém do lado para ajudar”, comenta.

Magda ressalta que, principalmente para quem dá à luz o primeiro filho, a acompanhante é importante. Já Dayrica Giovana Benedito, 17 anos, que teve seu primeiro filho nesta semana e também esperava alta, não vê muita vantagem de uma acompanhante. “Acho que tanta faz”, disse ela.

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Escolha

A enfermeira obstetra Sandra Valentim ressalta que o direito a acompanhante é uma das medidas propostas pelo Ministério da Saúde para humanização do parto, mas ela frisa que o ideal é que a parturiente escolha quem ela quer. “O que o Ministério da Saúde prescreve é acompanhante da escolha da parturiente, que nem sempre é uma pessoa do sexo feminino. Pode ser, por exemplo, o marido da parturiente. Mas na Maternidade Santa Isabel, por não haver separação entre as pacientes, é melhor isso do que nada”, comenta.

Também atuando como doula, designação da mulher que dá suporte físico e emocional às gestantes, antes, durante e após o parto, Sandra conta que é comum os familiares ficaram do lado de fora da maternidade, preocupados, enquanto a parturiente está para das à luz.

Ela também cobra, para a humanização do parto, a disponibilização de doulas para as pacientes do SUS, o que hoje não existe na Maternidade Santa Isabel. “Doulas são pessoas da comunidade que têm experiência de parto e podem ficar com a parturiente mesmo não sendo da família, como ocorre no Hospital Santa Marcelina, em São Paulo”, completa.