08 de julho de 2026
Geral

Emdurb amplia ônibus sem cobrador

Rafael Tadashi
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de cinco meses com ônibus circulando sem cobrador após as 20h nos dias úteis e durante todo o dia aos domingos e feriados, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) agora estendeu a experiência para outros horários. Linhas com menor demanda de usuários ou com alto índice de pagamento da passagem com o cartão eletrônico também estão operando sem cobrador, numa espécie de teste, segundo Waldomiro Fantini Júnior, diretor de transportes da empresa.

Ele argumenta que a intenção com a retirada de cobradores é manter baixos os valores das tarifas. “Esta é uma medida para tentar conter de todas as formas o aumento das tarifas. E estamos treinando os cobradores para tornarem-se motoristas”, diz. A passagem do ônibus circular em Bauru custa R$ 1,60 e o passe-integração, que permite ao usuário tomar dois coletivos em até uma hora e meia pagando uma única tarifa, é de R$ 2,00. O último reajuste da tarifa entrou em vigor no dia 23 de outubro passado. Em abril, o número de passageiros transportados foi de 2,3 milhões.

Apesar da Emdurb garantir que está monitorando as linhas que operam sem cobrador e não ter registrado problemas, o usuário do transporte coletivo Marcelo Machado afirma em carta publicada na Tribuna do Leitor do JC, ter se atrasado em quase 30 minutos para chegar ao trabalho por conta da mudança. Segundo o usuário, o ônibus atrasou porque o motorista precisou fazer as vezes do cobrador.

Em resposta ao usuário, Fantini Júnior admite que podem haver atrasos por outras eventualidades, mas não pela ausência de cobrador no ônibus. Um cobrador que preferiu não se identificar temendo represália confirmou a reclamação do usuário. “Os colegas motoristas contam que está muito difícil trabalhar sem cobrador. O ônibus atrasa e mata a volta que não dá para fazer. Retorna no início e começa o percurso de novo”, afirma.

Na avaliação dele, o acúmulo de funções está prejudicando os motoristas. “O motorista tem que dar troco, liberar a catraca, prestar atenção se todos pagaram e dirigir. É muita coisa para uma pessoa só”. Mas Fantini Júnior lembra que a retirada dos cobradores foi acordada no Ministério do Trabalho entre a Emdurb, o Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Bauru (Sindtran) e o Conselho de Usuários. “O acordo que fizemos é bem aberto e diz que podemos mexer a qualquer tempo e a qualquer hora”, comenta.

Apesar do acordo, o presidente do Sindtran, Antônio de Freitas, é contrário à retirada de cobradores de ônibus em dias úteis antes das 20h, mesmo que em testes. “O problema é que não estão repondo funcionários nas vagas que estão desaparecendo. Além disto, muitos cobradores estão pedindo demissão porque não vêem perspectivas na profissão. Como depois das 20h e aos domingos e feriados não há cobrador, a empresa cortou algumas horas e, por isso, os salários baixaram. Nessa situação, muitos colegas estão procurando outros serviços”, relata.

Fantini Júnior não concorda com Freitas e afirma que a Emdurb está tentando transferir todos os cobradores para outras funções. “Inicialmente eles ficam na linha de manobra, dirigindo na garagem da empresa. Com o tempo, passam a dirigir microônibus e depois os ônibus convencionais”, sustenta.

Ele afirma que os motoristas que estão circulando sem o auxílio do cobrador ganham adicional. “Os motoristas estão ganhando extras mesmo, mas não é proporcional ao acúmulo de função”, protesta o cobrador que prefere não se identificar. Fantini Júnior contesta. “Não é acúmulo de função, mas o motorista deve desenvolver a atividade do cobrador também”, finaliza.