10 de julho de 2026
Nacional

Helicóptero faz pouso de emergência em SP

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O namorado da analista de sistemas Cláudia Nishi, 33 anos, nunca vai se esquecer do telefonema que recebeu às 8h30 de ontem. Voz trêmula, ela disparou: “Amor, eu estou bem, mas um helicóptero caiu em cima do meu carro agorinha mesmo.” Seu Astra foi um dos três veículos atingidos pela aeronave Robinson 22, prefixo PT-YCZ, que, após uma falha mecânica, teve de fazer um pouso forçado no meio da pista expressa da marginal Pinheiros, uma das vias mais movimentadas da cidade de São Paulo.

“Pelo barulhão, achei que havia algum helicóptero voando bem perto de mim. Mas nunca pensei que estivesse caindo”, disse Cláudia, que teve o vidro e a lataria do teto do carro danificados. O helicóptero levava duas pessoas, que sofreram apenas arranhões leves: o piloto, Leonardo Rebuffo, 28 anos, e o jornalista Geraldo Nunes, 47 anos, repórter-aéreo da rádio Eldorado, especializado na cobertura do trânsito da cidade. Ontem, ele foi o protagonista do congestionamento.

O acidente ocorreu junto à ponte Eusébio Matoso (na zona oeste) e provocou um pico de lentidão de 107 km às 9h30, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Por causa da pista obstruída por quatro horas, o índice de trânsito foi mais do que o dobro da média normal diária em determinados horários.

Segundo o piloto Rebuffo, a aeronave sofreu uma pane no sistema de transmissão por volta das 8h15, quando estava a cerca de 150 metros de altura. Ele ainda tentou controlar o helicóptero, mas logo percebeu que teria de pousar rapidamente. Rebuffo tinha três alternativas: descer no rio, junto à linha dos trens metropolitanos ou na pista da marginal. Optou pela última por exclusão. Sabia que, se tentasse pousar na linha de trem, poderia colidir com fios de alta tensão. Se optasse pelo rio, Geraldo Nunes correria riscos - ele anda com dificuldade, com auxílio de uma bota ortopédica. Quando decidiu pousar na marginal, teve apenas cinco segundos para descer. Na manobra, três carros foram atingidos. “Foi incrível!”

O primeiro foi o Astra de Cláudia Nishi. Depois, a aeronave colidiu com o Versailles da fisioterapeuta Luciana Ruas Cardoso, 26 anos. “Senti uma pancada na frente do carro. Um segundo depois percebi que a hélice de um helicóptero tinha atingido minha roda esquerda. Foi incrível!”

O impacto dessa segunda colisão empurrou a aeronave por dez metros para debaixo da ponte Eusébio Matoso. Segundos depois, o terceiro carro tocou na carcaça - era o Gol do professor de matemática Célio Assunção, 30 anos. “Achei que cairia nos fios de alta tensão. Mas não. A nave deu uma inclinação de uns 30º, levantou o bico e desceu exatamente sobre minha porta”, contou Célio. Cláudia, Luciana e Célio acharam que, após a queda, o helicóptero fosse explodir. As duas, em choque e com muito medo, se afastaram correndo do local.

Preocupado com a fumaça branca que rapidamente se espalhou, Célio pegou o extintor de incêndio de seu carro e direcionou o jato de espuma para a nave, que ocupava duas das três faixas da pista expressa da marginal.

O piloto saiu sozinho da aeronave. O jornalista foi socorrido por motoristas. “Durante a queda pensei em Deus, na minha família e na minha esposa. Só estou vivo porque o piloto fez uma manobra excepcional”, disse Nunes. O Departamento de Aviação Civil (DAC) abriu uma investigação para apurar as causas do acidente. Em uma primeira avaliação, técnicos do órgão apontaram um defeito no sistema de transmissão da aeronave como a origem do problema. O relatório final ficará pronto em 90 dias.