08 de julho de 2026
Auto Mercado

Na direção certa

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Há cerca de quatro meses, o vendedor bauruense Sulaiman Aziz dirigia calmamente seu Escort 1995 pela avenida Duque de Caxias em direção à sua residência. Entretanto, subitamente a tranqüilidade na direção foi quebrada após tentar, sem sucesso, efetuar uma simples conversão e, sem controle sobre o volante, bater com o carro em uma lixeira na calçada. Como estava em baixa velocidade, ele não se feriu e os danos no automóvel foram pequenos. “Realmente dei sorte, pois virei passageiro e não tinha o que fazer. Só torcer para não ocorrer nada”, recorda-se.

Depois do susto, Aziz levou o carro a uma oficina para repará-lo e o diagnóstico o surpreendeu. “O mecânico disse que a origem do problema foi a quebra de um parafuso da barra de direção. Ele também falou que esse componente tem vida útil, o que me deixou surpreso, pois não sabia que essa peça tinha de ser substituída de tempos em tempos”, ressalta.

Mas, apesar do espanto do vendedor, a orientação fornecida pelo profissional do ramo automotivo procede. “Trata-se de um caso típico e comum de quebra do terminal de direção, que é a peça que une a barra de direção à suspensão. Quando ela quebra, realmente quem está dirigindo o veículo vira passageiro, pois não tem mais controle sobre o volante”, esclareceu Reinaldo Genovez, instrutor automotivo da unidade bauruense do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). E acrescenta:

“Como ela tem vida útil que não obedece períodos fixos de quilometragem, pois seu desgaste varia muito conforme o uso do automóvel em asfalto bom ou ruim, ela precisa ser constantemente checada. Assim, em toda revisão, ela é um dos itens obrigatórios a serem verificados, pois é um componente diretamente ligado à segurança ao rodar e barato de se manter. Nos populares, custa entre R$ 35,00 e R$ 40,00.”

Genovez afirma que o principal indício de problemas na peça são barulhos provenientes das folgas formadas pelo desgaste. Ele ensina que o defeito pode ser diagnosticado de várias maneiras. “Uma delas é na hora de efetuar o alinhamento das rodas. Empresas sérias desse ramo nem realizam o serviço antes das folgas serem sanadas. Elas assemelham-se a pancadas com sons bem graves e também são facilmente notadas em baixa velocidade, durante as conversões ou em ruas com paralelepípedos”, orienta o instrutor.

Outro componente importante ligado ao sistema de direção são os pivôs, que fixam a suspensão à roda. “Se ele estiver avariado, a roda fica bamba e pode desprender-se do veículo”, adverte Genovez. Mas como descobrir um dano nessa peça? Eles também costumam apresentar folgas e os meios são os mesmos para identificar os problemas nos terminais de direção. Mas, segundo o instrutor do Senai, há formas adicionais. “Quando as folgas estão muito grandes, basta mexer na roda, movimentando-a com as mãos para os lados, para constatar”, frisa.

O técnico automotivo lembra, ainda, de outro defeito comum ligado ao sistema de direção: a quebra da coluna retrátil, equipamento projetado para, em caso de impacto, quebrar propositalmente para impedir que o volante seja projetado para cima do motorista. “Em cidades cujo piso é muito irregular, como a nossa, é freqüente ela se romper mesmo sem acidentes. Pancadas em buracos são suficientes para danificá-la e, quando isso ocorre, surgem barulhos iguais aos originários das folgas nos terminais e pivôs”, adverte Genovez.