11 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

CPI chega ao fim - “Mensalão” não existia. E agora, quem vai pedir desculpas ao PT?


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Após cinco meses de intensas e furiosas investigações, centenas de depoimentos de testemunhas e acusados, apreensão de toneladas de documentos contábeis, quebra de sigilo bancário, telefônico e fiscal de dezenas de ex-dirigentes e deputados petistas, de partidos aliados e de empresas, a CPI chega ao fim sem conseguir uma única prova da existência do esquema de propinas para compra de votos de deputados, denunciado pelo deputado Roberto Jefferson, que fez a denúncia apenas para desviar a atenção sobre o esquema de cobrança de propina que montara nos Correios, esse sim, fartamente comprovado. Não adianta agora o relator da CPI cair no desespero e querer forçar a barra, incluindo ficções no relatório.

O fato concreto é que na verdade as investigações revelaram a existência apenas de um caixa eleitoral paralelo, montado e utilizado inicialmente pelo PSDB, na eleição de 1998, em benefício do presidente nacional dos tucanos - Eduardo Azeredo, que através do Banco Rural recebera 11 milhões de empréstimos do famigerado Marcos Valério, e que, quatro anos depois passou a ser utilizado também pelo ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, para pagar dívidas de campanhas eleitorais dos partidos aliados. Embora seja uma irregularidade, todos os partidos brasileiros tem, pelo menos caixa dois. Os grandes partidos da classe dominante, como o PSDB e o PFL, têm vários caixas paralelos - Caixa 3, Caixa 4, Caixa 5, e muito mais. Sua indignação contra o extinto caixa dois do PT é puro teatro.

Como sempre ocorre, por terem operado esse caixa dois à revelia do partido, o PT desligou vários dirigentes nacionais, tirou cargo de um ministro e expulsou Delúbio. Azeredo, o inventor do “valerioduto”, continua tranquilamente na direção nacional do PSDB. O mais lamentável de toda essa história é que a grande imprensa embarcou na história e promoveu um escabroso linchamento público contra o Partido dos Trabalhadores e contra o presidente Lula. Uma vergonha, certamente o episódio mais triste da história da imprensa brasileira. Durante meses, os brasileiros tiveram que ler, ver e ouvir (e mesmo agora, ainda, nas propagandas eleitorais gratuitas do PSDB e do PFL) o achincalhe impiedoso do partido mais ético do País e de seu presidente operário. Não faltaram advertências de jornalistas sérios como Alberto Dines (Observatório da Imprensa), Paulo Markun (Programa Roda Viva) ou Mina Carta (Carta Capital), lembrando sempre a grande tragédia anterior provocada pela imprensa contra a Escola de Base e seus diretores, acusada injustamente de praticar abusos sexuais contra as crianças. Além dos detratores de sempre, como Boris Casoy, de Jô Soares, a Faustão, de Sonia Abraão a Marcelo Rezende, da Praça e Nossa ao Casseta e Planeta, todos se lançaram diuturna e sofregamente a injuriar e ridicularizar o PT, o presidente Lula e os petistas. Ficou provado - o “mensalão” foi uma bruta mentira. E agora, quem vai pedir desculpas ao PT e ao povo brasileiro, enganado pela imprensa e pelos tradicionais inimigos do povo? E agora, José?

Marcelo Cézar Duarte Cavinato