11 de julho de 2026
Geral

Em busca da filha, mulher retoma sua peregrinação pelas estradas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Aos 50 anos, Maria Olinda Marques Lima retomou recentemente a vida de migrante que havia abandonado desde o nascimento da primeira filha. Sem emprego e com problemas de ordem familiar, retomou as estradas para procurar a caçula de 15 anos, que sumiu pelo mundo com um caminhoneiro.

“Ela saiu dizendo que ia à igreja e não voltou mais. Telefonou dizendo que está casada, que está tudo bem. A partir do DDD, decidi procurá-la. No começo ela estava em Minas, agora sei que está no Paraná. Nunca tinha vindo a Bauru. Cheguei aqui porque consegui uma passagem em Araraquara, mas venho de Goiás. Não sou contra caronas, mas os caminhoneiros não deviam levar menores”, diz.

Há mais de 20 anos, ela também contava com o apoio deles para percorrer as cidades em busca de trabalho. “As pessoas diziam que tinha emprego e a gente ia. Chegava lá era pior ainda”, lembra. Tanto agora quanto antes, ela também teme as incertezas da vida de migrante, problema apontado por 20% dos entrevistados na pesquisa do FSSB.

Embora Maria Olinda fuja do perfil do migrante indicado no trabalho da ITE, ela também é passível de ser apontada como potencialmente perigosa para a sociedade, apesar de enfrentar riscos pelas estradas. Por essa razão, é tão necessária uma política pública específica para atender essa população, ressalta Cláudio Bartolli Filho, antropólogo e professor do Departamento de Ciências Humanas da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

“Eles têm a cidadania degradada. Não têm vínculos, não conseguem habitação, ou se conseguem, é em lugares muito desprivilegiados. O migrante sai de onde está porque é expulso pela miséria ou pela violência”, afirma Bertolli Filho. O resultado de tanta marginalização, que avança numa escala crescente pelo mundo, pode resultar em novos distúrbios sociais como os vividos atualmente pela França, pondera o professor.

O país decretou estado de emergência por causa dos conflitos provocados por jovens imigrantes e filhos de imigrantes, em sua maioria negros e muçulmanos.