08 de julho de 2026
Geral

Morador transforma torres em arte

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

O operador de transmissor Luiz Ramos, 46 anos, morador no Jardim Ferraz, inverteu, com sua paixão pelas torres de transmissão de energia e de telecomunicação, um ditado consagrado. Nesse caso específico, é a arte que imita a vida. E a imitação é quase perfeita.

Ramos passou boa parte de sua vida escalando torres, fazendo reparos e vendo as empresas levantarem estruturas cada vez maiores e mais sofisticadas. A admiração por essas obras o fez perguntar a si próprio um belo dia: “se elas (empresas) podem, por que eu não posso?”.

É claro que ele não estava pensando em construir uma torre de transmissão com estrutura metálica e dezenas de metros de altura. Mas uma miniatura que pudesse caber dentro de casa, fosse leve, barata, e o mais importante, desse prazer.

A pergunta veio à tona há cerca de oito ano. Bastaram alguns dias para surgir a primeira torre, feita a base de alumínio e com “pitadas” de arame e madeira. A inspiração inicial foi a torre da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). A primeira réplica só deixou de ser a única dois anos mais tarde.

Nessa altura, eram duas torres enfeitando a casa. “As pessoas viam e achavam interessante, as crianças achavam legal”, relembra Ramos. “Então, eu perguntei: por que não fazer mais? Se essas pessoas estão gostando (das miniaturas), por que outras não iriam gostar?”, questionou.

Além do mais, o trabalho com as réplicas lhe dava, e ainda dá, prazer. “Acaba sendo uma terapia”, comenta. Bastam algumas latinhas de alumínio (material reciclável), iguais àquelas de refrigerante e cerveja, alguns fios de arame fino para fixar a torre na base, um pouco de madeira para construir as casinhas que ficam ao lado das torres, tesoura, cola, alicate e tem-se tudo o que é preciso para iniciar a “obra”.

O que também encanta, além do trabalho meticuloso das torres, é a riqueza impressionante de detalhes. Estão lá as parabólicas, os postes de iluminação e até mesmo uma luz minúscula (led), na parte alta da torre, que fica piscando de forma intermitente, como ocorre em uma estrutura de verdade.

Uma das obras que mais chamam a atenção é a imitação de um conjunto de torres presentes em um morro na cidade litorânea de Guarujá. São dez torres, “grandes” e “pequenas”, uma ao lado da outra. Para deixar o local mais próximo possível da realidade, Ramos colocou plantas naturais ao redor e em cima do morro (também feito de alumínio). A imagem, definitivamente, lembra um pedaço do litoral.

Fazem parte da coleção miniaturas das torres do Jornal da Cidade, de emissoras de TV, de rádio, da Telefonica e da Embratel. São 22 torres ao todo.

Ramos conta que tinha planos de expor seu trabalho na edição deste ano da Grand Expo Bauru, mas foi informado que precisava pagar para usar o espaço na feira. Como não tinha recursos e não tinha intenção de vender nada para cobrir a despesa com o aluguel, ele desistiu da idéia.

“Quem sabe no ano que vem. Se eu conseguir alguma parceria vai ficar mais fácil”, faz planos. Ramos cogita também a possibilidade, se necessário, de fazer uma exposição na garagem da própria casa. Fiel ao ditado “as coisas bonitas têm de ser mostradas”, Ramos gosta da idéia de dar oportunidade para que outras pessoas possam ver o trabalho.

Nascido em Minas Gerais, Luiz Ramos chegou a Bauru há 14 anos, onde trabalha como operador na Rede Mulher de Televisão. Antes disso, trabalhou por 18 anos no sistema público de comunicação em Limeira.

Por ainda estar na ativa, Ramos usa suas folgas e fins de semana para imitar a vida com suas obras de arte.