08 de julho de 2026
Polícia

Presos acusados de planejar seqüestro

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) prendeu quatro homens acusados de planejar o seqüestro ou roubo de um empresário de Bauru. Eles foram levados à Cadeia Pública de Avaí no sábado, data em que o crime seria cometido contra a família do empresário. O plano, frustrado pela polícia, foi confessado pelo jardineiro da casa, Rafael Antônio da Silva, 22 anos. Segundo a polícia apurou, seria ele quem passava informações sobre a rotina dos moradores ao restante do grupo. Nos celulares deles estavam registrados números de telefones de mais oito empresários que supostamente também seriam futuras vítimas.

No entanto, o trabalho de inteligência da DIG também registrou em fotografias e filme a ação de André Luiz Pedroso Rodrigues Dias, 32 anos. Munido de binóculo, ele também monitorava o dia-a-dia das vítimas. De acordo com o titular da delegacia J. J. Cardia, a observação era feita de uma praça próxima à residência do empresário. O grupo conhecia o cotidiano da família, as placas dos veículos e até os itinerários que faziam.

Com passagem pela polícia, o contato de Dias com Silva se deu no âmbito familiar. A companheira de ambos são irmãs. Porém, o jardineiro era o único primário. Os outros dois - Antoninho Donizete Sanzovo, 48 anos, e Demilson Artemio dos Santos, 22 anos, - também já se envolveram em outras ocorrências policiais. Os quatro tiveram prisão temporária de cinco dias decretada sexta-feira passada. O período pode ser renovável por mais cinco, até a avaliação do pedido de prisão preventiva.

“Levantamos o dia (do delito). Antes que o fato ocorresse e munidos de prova, representamos à Justiça”, informa o delegado. O pedido de prisão foi feito com base no artigo 288 do Código Penal. Ele prevê reclusão de um a três anos para associação de mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes.

Os quatro foram detidos em casa - cada um num endereço diferente da cidade. Mas como na residência de Dias foram encontradas 74 gramas de crack, o rapaz também foi preso por tráfico de drogas, crime cuja pena pode chegar a 12 anos de reclusão. Ele nega o plano de seqüestro e roubo. Sanzonvo e Santos prestarão depoimento em juízo.

A polícia apreendeu com o grupo, um par de luvas, um gorro, uma máscara de monstro, um binóculo, seis celulares, um carregador e duas peças de roupa - utilizadas num dos monitoramentos filmado pela DIG. Os policiais também apuraram que o grupo estabeleceu dois planos contra a vítima. O primeiro seria abordá-la na rua e o segundo, dentro da residência.

A ação dos quatro, observada ininterruptamente pela polícia por cerca de dez dias, tinha como objetivo roubar ou seqüestrar outros empresários. Constavam na lista de alvos, registrada pela caixa postal dos aparelhos celulares, entre seis e oito nomes, explica o delegado. Todos foram comunicados para tomar medidas de precaução. O endereço e o nome deles foram preservados pela polícia.

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Outros casos

Nos últimos dois anos, a polícia conseguiu evitar outros três ou quatro casos de seqüestro. De acordo com o titular da DIG, J.J. Cardia, faz cerca de quatro anos que não há registro do crime consumado desta natureza em Bauru e região.

Antes deste período, Bauru somou aproximadamente três ocorrências e, a região, outras duas. No entanto, em nenhuma delas houve pagamento de resgate porque a polícia pegou os autores antes, ressalta o delegado. “Quem é empresário ou desenvolve atividade importante não deve conversar de assuntos de empresa e família perto de empregados. Além disso, ao contratar alguém, é preciso levantar quem é a pessoa”, sugere Cardia.

As orientações tomaram como base o caso do jardineiro, empregado de confiança da família alvo de seqüestro e roubo.