09 de julho de 2026
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Desenvolvimento sustentado


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Desenvolvimento econômico pressupõe a criação de valor e sua recirculação para a sociedade. Quanto maior for a parcela da sociedade que participar dessa recirculação, maior a capacidade de realimentação desse processo, ou seja, o desenvolvimento econômico se alavanca do desenvolvimento social.

Desenvolvimento social se faz com o desenvolvimento do indivíduo e com um ambiente que permita a criação de oportunidades para todos, evitando o cerceamento de oportunidades ou sua concentração em uma pequena parcela da sociedade.

O desenvolvimento do indivíduo requer investimentos em educação e oportunidades de utilizar e fortalecer os conhecimentos e conceitos adquiridos, o que normalmente só as estruturas coletivas podem propiciar. A oportunidade, dessa forma, está intimamente ligada ao desenvolvimento econômico, por meio do sucesso e da saúde das empresas.

É claro que precisamos encontrar um justo equilíbrio entre a cooperação, que insere pessoas e aumenta a capacidade de vencer desafios, e a competição, que assegura vitórias e estimula o progresso. Para isso, é preciso encontrar um conjunto de valores que garantam esse equilíbrio, e que devem ser construídos, abraçados e dominados pela sociedade.

A simbiose entre o social e o econômico tem de ser estabelecida para que os indicadores sociais direcionem o desenvolvimento econômico e também sejam levados em conta ao buscarmos o desenvolvimento social.

O sistema político e o exercício de governo devem garantir uma participação equilibrada dos segmentos da sociedade no estabelecimento de direções e metas e em sua implementação, levando ao efetivo alinhamento dos anseios dos representados ao poder dos representantes. Para isso, o equilíbrio entre poderes e a aproximação do indivíduo aos processos de governo são essenciais.

É muito claro que o crescimento econômico do País a taxas superiores a 5% ao ano é condição necessária, ainda que não suficiente, para podermos avançar na solução de nossos problemas. Além disso, temos que resgatar o conceito de desenvolvimento, perdido ao longo dos anos 80.

A melhoria da capacidade de inovação das empresas brasileiras e das cadeias produtivas implica na disponibilidade de recursos humanos intensivos em educação, e num sistema de ciência e tecnologia integrado com as empresas dentro de uma política industrial que explicite claramente esses objetivos e disponha dos meios para tanto.

O Milagre coreano, país que, em três décadas, saiu de condições sociais e econômicas inferiores ao Brasil e entrou para o seleto grupo dos países ricos e dinâmicos, foi baseado na velha e válida receita de sempre: educação, investimento, dólar alto e juro baixo, que levantou a Europa no pós-guerra, utilizada parcialmente pelo Brasil até a década de 70. Com raríssimas exceções, vivemos de vantagens comparativas que não se sustentam e nem trazem desenvolvimento econômico e social. Hoje, o fortalecimento do Governo se sobrepõe à sobrevivência da sociedade. É possível reverter essa situação, e o ponto de partida passa pelo reconhecimento da interdependência e da co-responsabilidade de todos agentes envolvidos. Democracia, idealismo, humildade e determinação são bem vindos!

O autor, Fernando Bueno, é empresário, diretor do departamento de competitividade (Decomp) do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo - Ciesp