Estava acompanhando o companheiro Carlos Roberto Pittoli em 2002, quando este foi candidato a governador pelo PSB, e tivemos um compromisso no bairro de Perus, na cidade de São Paulo. Dia chuvoso e as ruas sem calçamento transformaram o nosso dia num drama.
Atolando o pé no barro, lembrava do Ama-deu’s, do Mochila’s e o bom-humor indo embora. Nisso, um cidadão, que não era bem um cidadão e sim um guarda-roupa ambulante, dirigiu-se para o meu lado. Sem exagero algum, media uns dois metros de altura por outro tanto de largura.
Chegou e foi colocando as mãos em meus ombros. Pensei em começar a orar e de imediato lembrei que não sei fazer essas coisas. Simplesmente paralisei, tão somente sentindo um ronco forte na barriga, que depois descobri ser o principal sintoma de uma doença chamada “diarréia nervosa”. O cidadão pergunta:
- Ô mano... aquele camarada ali é poliça?
- Não... não é não!
- Vi na TV que ele é sargento!
- Sim... é sargento do Exército e foi cassado pela ditadura de 64...
- Ah...bão!
Afastou-se, indo em direção ao Pittoli. Cumprimentou e tascou:
- Você é çb cara!
Pittoli mediu o guarda-roupa, cofiou o bigode e arriscou:
- Çb? O que é isso?
- Sangue bão, cara!
Rimos e o sargento completou:
- Ah... é! Obrigado...ô jb!
- Jb?
- Sim... você é gente boa, cara! Conto com seu voto!
E saímos aliviados e ilesos...
Contada por Antonio Pedroso Júnior