10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Renda turca garante dinheiro extra

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Mais lucrativa do que as outras modalidades de artesanato como tricô e crochê, a renda turca se transformou em uma garantia de ganho extra para um grupo de mulheres em Bauru.

O material utilizado - linha - é barato e a venda da renda é assegurada pela beleza do trabalho. É preciso, entretanto, gastar boas doses de paciência e dedicação. A exigência maior nesse tipo de trabalho é a mão-de-obra, uma vez que a renda turca dá um certo “trabalhinho” aos artesãos.

A professora da turma é a “dona” Francisca de Jesus, que nos altos de seus 84 anos, encontra disposição para ensinar e ainda participar de trabalhos como “vicentina” e dançar nos bailes da terceira idade. Orgulhosa, dona Francisca exibe também as medalhas que ganhou competindo pela equipe de basquete da terceira idade.

A renda turca passou a fazer parte de seu dia-a-dia há 60 anos, quando esteve em Penápolis acompanhando o marido, que havia sido transferido para lá pelo Departamento de Estradas de Rodagens (DER).

Ela lembra com carinho sua “primeira grande obra”. Foi um vestido de noiva, inteirinho de renda turca, para uma amiga. Só de saia foram 28 metros. O trabalho demorou um ano e meio para ficar pronto.

Desde então, Francisca não parou mais. Segundo ela, foi com o dinheiro obtido com a venda de peças feitas com renda turca que conseguiu pagar o estudo do caçula da família. “O canudo que o meu filho mais novo conseguiu foi graças à renda turca”, conta.

Mas no que esse tipo de renda difere das demais? “É um trabalho para pobre ganhar dinheiro. Ele gasta menos que o crochê, só é mais trabalhoso”, compara dona Francisca.

Um novelo de linha própria para esse tipo de renda custa cerca de R$ 5,50. Com ele é possível fazer cinco jogos de quarto com cinco peças cada um. Cada jogo é vendido por até R$ 20,00, o que representa um ganho de R$ 94,50, com apenas um novelo, já descontada a despesa com a linha.

Bom para a cabeça

Além de ser bom para o bolso, a renda turca, a exemplo de outros trabalhos artesanais, é boa também para “a cabeça e o coração”, segundo dona Francisca. “Hoje, eu vejo mulher com 50 anos reclamando de tudo. Eu quero mais é ir para um baile e dançar”, diz, comparando.

Toda sexta-feira, ela deixa as encomendas de lado e ensina seis alunas a arte da renda turca. Dona Francisca lembra que na década de 70 sua casa parecia “uma creche” quando chegavam as alunas. Hoje, o cenário é totalmente diferente. “Agora, parece mais um clube da terceira idade”, compara, referindo-se ao atual desinteresse das meninas mais novas pelo trabalho artesanal.

A falta de interesse fica ainda mais evidente quando dona Francisca diz que não cobra nada pelas aulas. “Como eu aprendi de graça, de graça eu passo meus conhecimentos aos alunos”, explica.

Uma de suas alunas, Solange de Oliveira, 48 anos, também está passando para frente o que aprendeu. Ela usa o espaço de uma loja no Centro da cidade para ensinar.

Sueli Montalvão, 49 anos, é outra “discípula” de dona Francisca. Juntas, as três produzem várias peças de renda turca toda a semana para atender encomendas ou expor em algumas lojas da cidade.

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Expansão

A renda turca feita por dona Francisca, Solange e Sueli ganhou destaque na edição deste mês da revista “Agulha de Ouro”, de circulação nacional. O próximo passo será na direção de novos mercados.

Anibal Alves de Oliveira Júnior, marido de Solange, revela que já procurou o Sebrae com o objetivo de conseguir um espaço para a renda turca de Bauru no Centro do Empreendedor, em São Paulo.

O local é um ponto de referência para lojistas e atacadistas à procura de artesanato. Lá é possível encontrar material produzido por artesãos de toda parte do Estado.

Por ser um ponto de referência, o Centro do Empreendedor está sendo encarado pelas artesãs de Bauru como um trampolim para conquistar o mercado internacional.

Oliveira disse que tem procurado insistentemente por outros grupos que trabalham com renda turca no Estado de São Paulo, mas até o momento não encontrou interessado.

Informações sobre esse tipo de trabalho podem ser obtidas no site www.rendaturca.com.br. Quem estiver interessado em aprender pode entrar em contato com Solange pelo telefone (14) 3227-5115 (aula paga) ou com dona Francisca no telefone (14) 3203-5591 (aula grátis).