10 de julho de 2026
Regional

Sem salário, rurais cruzam os braços

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú – Cerca de 400 trabalhadores rurais do Grupo Atalla, de Jaú (47 quilômetros de Bauru), cruzaram os braços em protesto pela falta de pagamento. Normalmente, eles recebem o salário no quinto dia útil de cada mês, mas até ontem o dinheiro ainda não havia sido liberado pela empresa – proprietária da Usina Central Paulista.

A entrega da cesta básica, que é feita junto com o pagamento, também atrasou, mas esse problema já foi resolvido. Os trabalhadores puderam retirá-la entre anteontem e ontem. Fica faltando agora a liberação dos salários.

De acordo com representantes sindicais, a previsão da empresa é que o pagamento seja feito na próxima segunda-feira. No entanto, os sindicalistas querem antecipar a entrega do salário para hoje. Se isso não ocorrer, os trabalhadores prometem continuar parados até a liberação do pagamento. Os trabalhos estão suspensos desde anteontem.

De acordo com o representante da Federação dos Assalariados Rurais do Estado de São Paulo (Feraesp), Eduardo Porfírio, mais conhecido por Polaco, existe um receio entre os cortadores de cana do Grupo Atalla, de que a empresa atrase também o pagamento de dezembro e o 13º salário.

Segundo Polaco, que também é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mineiros do Tietê, historicamente a empresa sempre atrasou salários na entressafra (período entre o fim de uma colheita e o início da próxima). A safra do Grupo Atalla teve início em abril e terminou no mês passado.

“Enquanto o trabalhadores não tiverem suas necessidades básicas atendidas, não tem como eles se alimentarem bem. Conseqüentemente, não tem como eles voltarem ao trabalho”, argumentou o sindicalista José Luiz Júnior, de Jaú.

Segundo ele, foram paralisadas as atividades nos municípios de Jaú, Mineiros do Tietê, Igaraçu do Tietê e Barra Bonita.

Além da questão salarial, Polaco disse que os trabalhadores reclamam também que a empresa não estaria depositando o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O Jornal da Cidade tentou contato com a empresa para comentar as reclamações dos funcionários, mas, segundo uma funcionária, o único diretor que havia ontem na empresa teria viajado para São Paulo ainda de manhã e ninguém mais tinha autorização para fazer qualquer comentário sobre a paralisação.

Outra reclamação dos cortadores de cana é quanto ao pagamento das férias. Segundo eles, o valor é dividido em duas ou três parcelas.

Para voltar ao trabalho, os funcionários querem também que a empresa pague os dias parados. Caso contrário, a paralisação deve continuar, segundo informou o representante da Feraesp.

A Usina Central Paulista, mais conhecida como Usina Lambari, não está processando cana este ano. Tudo o que foi colhido por seus trabalhadores foi vendido para usinas e destilarias da região. De acordo com os sindicalistas, não há informação de que a empresa tenha deixado de receber pela cana fornecida. “Mesmo com o recebimento em ordem, o Grupo Atalla não está cumprindo com os compromissos trabalhistas”, acusa a Feraesp.