08 de julho de 2026
Regional

Da prisão, detento comanda extorsão

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú – Um trabalho de investigação da Polícia Civil de Jaú (47 quilômetros de Bauru) descobriu ontem que um detento comandava de dentro da penitenciária de Assis um crime de extorsão contra a família do secretário de negócios jurídicos da prefeitura da cidade, Adilson Battochio.

O presidiário ameaçava seqüestrar as filhas do advogado caso não fosse paga uma quantia em dinheiro. No início das negociações, o valor girava em torno dos R$ 12 mil, mas acabou ficando em R$ 3 mil. O dinheiro foi recuperado pela polícia antes de ser entregue a um dos envolvidos no crime.

Fernanda Fernandes, 19 anos, foi presa em flagrante e admitiu participação na extorsão. Tanto ela como o detento Marcelo Rogério Borges, 26 anos, são moradores de Jaú. Ambos são primos e serão indiciados por extorsão, cuja pena varia de seis a 15 anos de prisão, em caso de condenação.

O delegado Edmilson Bataier, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), chegou a pedir que Borges fosse levado até Jaú para ser ouvido, mas a solicitação não foi aceita por falta de estrutura da polícia de Assis para acompanhar o preso. Marcelo Borges deverá ser ouvido e indiciado por Bataier na próxima segunda-feira, em Assis.

O delegado da DIG disse que agentes da penitenciária de Assis vasculharam a cela onde está Borges, mas o telefone celular que teria sido usado para comandar a extorsão não foi localizado.

Segundo relatou à polícia Adélia Salete Ronquezel Battochio, esposa do secretáio jurídico da prefeitura, as ligações com ameaças de seqüestro de suas duas filhas começaram por volta das 9h30. De início, o autor da ligação pediu R$ 12 mil para deixar a família em paz. Depois de muita conversa, ele cedeu e aceitou receber R$ 3 mil.

A polícia foi avisada e os delegados Bataier e Edson Maldonado, da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), organizaram um esquema na tentativa de prender os criminosos no momento em que o dinheiro fosse entregue.

Foi combinado entre a família e o autor das ligações que o envelope com o dinheiro deveria ser entregue a um mototaxista que iria até a casa dos Battochio. Assim que mototaxista saiu levando o dinheiro, a polícia o seguiu. Ele parou em dois endereços diferentes: um na Vila Sampaio e outro na Vila Maria, onde Fernanda foi presa.

Chamadas interceptadas

Enquanto era detida, ela recebeu várias ligações que mais tarde os policiais descobriram ser de uma pessoa que estava detida na penitenciária de Assis. Segundo o delegado Bataier, no telefone do mototaxista também havia registros de ligações feitas supostamente por Borges.

Apesar da participação do mototaxista, ele está sendo arrolado no inquérito policial apenas como testemunha. Em contato com a empresa que ele trabalha, os policiais constataram que houve uma ligação solicitando o serviço de mototáxi.

Segundo a DIG, Fernanda não tem passagem pela polícia. Já o acusado de comandar o crime de extorsão responde por assalto, furto, roubo, porte de arma e outros, de acordo com a polícia.

Como já está preso, Borges vai aguardar a finalização do inquérito detido. Fernanda foi encaminhada à cadeia feminina de Dois Córregos.