09 de julho de 2026
Nacional

Crise atual é pior que a de Collor, diz FHC

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Em discurso na convenção nacional do PSDB recheado de provocações ao seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que a atual crise é mais grave do que a responsável pela queda do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1992.

Afirmou ainda que o PSDB tem que ser mais incisivo e dizer que lugar de “ladrão é na cadeia”. “Há algo mais grave que a corrupção tradicional, é a corrupção das instituições. Nós nunca assistimos a isso. Participei de momentos em que tivemos que processar o impeachment de um presidente, mas os fatos alegados eram privados. Não envolviam um partido, nem um governo, nem a administração”, disse Fernando Henrique, que governou o país de 1995 a 2002.

Para ele, a suposta compra de votos pelo atual governo é “inaceitável”. Mas ele não mencionou a compra de votos durante seu primeiro mandato, em 1997, para aprovar a emenda da reeleição. Mais tarde, no aeroporto de Brasília, o ex-presidente suavizou a crítica, dizendo que “não existem elementos para tocar o impeachment (de Lula)”.

FHC foi o último a falar na convenção, que aclamou o novo presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE). Em sua fala, Tasso ironizou a chamada “herança maldita”, criticada pelos petistas. Segundo o tucano, a herança “foi, paradoxalmente, responsável pelo pouco de positivo que o atual governo apresenta na economia”.

FHC foi o mais festejado da convenção, ofuscando Tasso e os presidenciáveis Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, e José Serra, prefeito de São Paulo. O ex-presidente fez discurso exortando seu partido a sair do imobilismo e a começar a nomear os “corruptos” do governo. “Nosso discurso não tem que ser mais o discurso abstrato, é coisa concreta. Ladrão é na cadeia e há que dizer quem é o ladrão e quem vai para a cadeia. E não vamos tergiversar.”

O ex-presidente foi irônico ao se referir a seu sucessor. Chegou a pedir a Lula que seja candidato, insinuando que será fácil batê-lo no ano que vem. â€œÉ muito importante que o presidente Lula seja um dos nossos adversários. Vamos ganhar, como já ganhei dele duas vezes.”

Segundo FHC, Lula até pode fazer campanha desde já, “mas não todo o tempo”. “Em certos momentos tem que administrar”, disse.