Por trás de todos os números e percentuais, a principal conclusão da pesquisa “Educação da Primeira Infânciaâ€, desenvolvida pela Fundação Getulio Vargas (FGV) é que, quanto mais cedo a criança começa a freqüentar a escola, maiores serão as chances desta criança se tornar um adulto bem-sucedido.
A pesquisa - coordenada pelo economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, Marcelo Neri, e baseada em um estudo do pesquisador norte-americano James Heckman, da National Longitudinal Surveys - concluiu que além de um provável futuro bem-sucedido, crianças que freqüentam a escola desde muito novas têm menores possibilidades de serem presas, de engravidar precocemente e de dependerem de programas de assistência social.
De acordo com a pedagoga e doutora em educação Vera Casério, é na escola que a criança aprende a socialização. “No contato com os educadores, a criança é estimulada a resolver por conta própria determinadas situações que os pais tendem a querer solucionarâ€, explica.
“No ambiente escolar e em contato com outras crianças é que se aprende a dividir, a lidar com as angústias e frustrações, a dialogar e pedir pelo que se desejaâ€, afirma Casério.
A empregada doméstica Maria do Carmo Cardoso, 33 anos, concorda com a pedagoga. Seus dois filhos, Isabel, 10 anos, e Alex, 7 anos, começaram a freqüentar creches desde os primeiros meses de vida. “Precisei matricular meus filhos na creche para poder trabalhar, mas hoje vejo que eles aprenderam valores muito importantes na escolaâ€, comenta Cardoso.
Ela explica que os filhos - mesmo novos - são muito independentes, têm facilidade de comunicação e enfrentam as situações do dia-a-dia com naturalidade. “Conheço crianças que não passaram por creches e percebo que elas têm medo de algumas situações. Precisam dos pais para resolver tudo. Meus filhos encaram qualquer coisa sem receioâ€, declara Cardoso.