Em 1983, fizemos um requerimento ao prefeito solicitando uma proteção junto às torneiras públicas para evitar que cães e cavalos as utilizassem. Alguns munícipes tinham flagrado cachorros lambendo a torneira da Anderson Clayton. A sessão foi para o ar numa quinta-feira. No sábado, estávamos andando de bicicleta quando fomos interceptados por um cidadão de bermudas e óculos escuros. O homem trazia junto de si um doberman maior que a nossa Peugeot - 3 marchas.
- Eu sou seu eleitor e queria saber se o senhor tem alguma coisa contra os cachorros? (Parece que o doberman gigante percebeu alguma coisa porque começou a rosnar para o meu lado.)
- Claro que não, mas as pessoas são mais importantes, o senhor não acha?
- E os cachorros? – interrompeu ele. Como é que ficam? Vão morrer de sede? Eles também fazem parte da população, ora essa. Peça bebedouro para os cães, então, seu vereadorzinho de meia pataca!
E saiu pisando duro. (contada por Rui Bertoti)