Escândalos e denúncias de corrupção não são algo novo na política. No Brasil, os últimos acontecimentos envolvendo “mensalões†e “mensalinhos†elevaram ainda mais o grau de insatisfação com a classe política. A descrença com as atuações parlamentares anda tão grande que é raro encontrar quem se sensibilize ou se engaje para defender suas causas. Mesmo assim, há quem acredite na política, principalmente entre os jovens.
É o caso dos estudantes Tiago Coelho, Thiago Segura, Karina Saiani, Fernanda Martins, Douglas Martins e Carlos Cavalcanti. Recém-empossados na diretoria do Centro Acadêmico da Instituição Toledo de Ensino (ITE), eles destacam que, apesar de não estarem filiados em partidos, consideram a política uma das “molas-mestra†da sociedade. “Sem ela, a vida não anda. E acreditando ou não nela ou nos políticos, as pessoas terão de chegar na frente da urna e votarâ€, resume Coelho. “Ela é capaz de afetar todos os rumos de um país nos mais variados assuntosâ€, completa Saiani, seguida por Douglas: “Mesmo quem não se interessa em filiar-se em instituições partidárias deve ao menos engajar-se ideologicamente nas questões políticas discutidas.â€
Para os universitários, são várias as explicações, além da imagem “arranhada†da política e seus agentes, para o desencanto dos brasileiros, especialmente os jovens, com o setor. Segundo Saiani, a dificuldade de acesso à informação é um dos colaboradores. “Se para quem tem já é difícil de acompanhar os assuntos relativos à área, imagine quem mal tem condições de informar-seâ€, compara.
Coelho sustenta, ainda, que a ausência de disciplinas ligadas à política ao longo do sistema educacional também pesam contra o segmento no País. “Na nossa época, a gente até estudava Educação Moral e Cívica, que dava algumas noções. Hoje não há mais issoâ€, salienta. “O sistema educacional brasileiro não estimula o senso crítico dos estudantes, que não estão ali na sala de aula para pensar. Muitos só estão preocupados em passar no vestibular, se formar e ganhar dinheiro depois com suas carreiras, esquecendo-se da sociedade como um todoâ€, complementa Douglas. Já Fernanda atribui uma parcela de culpa a setores da mídia. “Há veículos de comunicação que manipulam a opinião pública com abordagens tendenciosasâ€, frisa.
O também universitário Mauro Sérgio dos Santos, 21 anos, é outro exemplo de jovem engajado na política, área na qual atua há cinco anos e onde já militou como integrante de movimentos estudantis. Atualmente, é membro da ala da juventude do PSDB local e até já pensou em candidatar-se a vereador.
Para ele, a política deveria ser valorizada pela população, principalmente os jovens, porque ela é capaz de transformar a sociedade, além de desenvolver o senso crítico. “E a preocupação com ela deveria começar cedo, nas escolas, para que posteriormente ela fosse sendo transmitida para as faculdades, comunidades e a sociedade como um todo. Engajar-se na política é um passo para conseguir mudançasâ€, considera. E completa: “Quem não acredita nisso e fica de fora dos debates que a política promove apela para a crítica fácil e não dá a cara para bater.â€
Apesar da importância da política, Santos sustenta que dificilmente os jovens a levam a sério. “Realmente é raro encontrar quem defenda suas bandeiras e muitos não têm a mínima noção do que é a política nem querem se envolver. É algo assustador, pois isso facilita não só a corrupção entre os políticos, mas também a manipulação e a alienação da juventudeâ€, pondera.
O bauruense Marcelo Bruschi é outro jovem que faz questão de cobrar postura diferenciada dos políticos nacionais. Segundo Bruschi, os agentes que militam na área não deveriam ser “bonzinhos†ou limitar-se a fazer caridades. “Isso não é o papel deles. Para fazer jus ao que o povo ensejou dele, o verdadeiro político deve limitar-se a cumprir as leis do País, e não ficar distribuindo cestas básicas ou prestando assistencialismo baratoâ€, destaca.
Alternativas
Apesar da imagem abalada da política com a população, os jovens, a exemplo do analista Franklin Martins, consideram que há alternativas para superá-la. Para Thiago Coelho, presidente do Centro Acadêmico da Instituição Toledo de Ensino (ITE), um dos caminhos está na própria juventude. “O jovem tem uma força enorme na sociedade que muitas vezes não se dá conta dela e do que esta pode colaborar para a transformação do Paísâ€, salienta. O vice-presidente do mesmo Centro Acadêmico, Thiago Segura, segue igual raciocínio e defende a valorização do jovem. “O ideal seria investir na formação de novos políticos com uma mentalidade diferente dos que militam atualmente na áreaâ€, argumenta.
Já Karina Saiani, Fernanda Martins e Carlos Cavalcanti pregam soluções diferentes. Enquanto a primeira cobra maior transparência nos atos políticos, Martins e Cavalcanti defendem, respectivamente, a redução da burocracia e a reforma política. “Burocracia em excesso alimenta a corrupçãoâ€, frisa ela. “Além de maior fidelidade partidária, a reforma política deveria facilitar as formas das pessoas saberem quem são os que financiam as campanhas dos candidatosâ€, conclui o jovem.