“Há um desencanto generalizado na sociedade brasileira com a política, que é fruto da falência do nosso sistema eleitoral. Ele só existe no Brasil e na Finlândia e em todos os lugares do mundo onde existiu produziu os mesmos efeitos que está gerando no País, como a fragmentação partidária, eleitos sem qualquer controle dos eleitores, deputados “donos†de mandatos e troca de votos por favoresâ€. A afirmação é do analista Franklin Martins - comentarista político nas TVs Globo e Globonews e rádio CBN -, que prega a reforma eleitoral como única saída para tentar resolver o descrédito da população com a política e seus agentes.
E, para defender sua idéia, ele enumera uma série de motivos. Segundo Martins, o atual sistema eleitoral brasileiro integra um círculo vicioso que produz conseqüências nefastas ao País, como as “barganhas†e o fisiologismo baseado nos princípios do “toma lá, dá cá†entre os integrantes do Congresso Nacional.
“Se a Câmara dos Deputados atual é ruim, a próxima vai ser tão ruim ou pior que essa, porque o sistema é o mesmo. Este não produz maiorias parlamentares com bases programáticas, forçando o presidente da República ou governadores a formarem uma maioria baseada em barganhas que não são transparentes, pois não são feitas com os partidos e sim com os deputados individualmente. Daí, volta e meia estouram escândalos e fica a sensação de que é tudo uma podridão. Mas é nosso sistema que está podre e tem de ser mudadoâ€, enfatiza.
Martins argumenta também que o sistema eleitoral está falido e ultrapassado e sua reforma deveria aliar-se a um maior investimento educacional. “Acho que se deveria investir mais na educação a fim de que as pessoas se conscientizassem mais, mas a medida principal é mudar o sistema eleitoral, que é ruim porque integra um jogo complicado. O partido monta uma chapa sem características programáticas. O candidato vai atrás do partido que acha que melhor lhe atende. E o eleitor não leva nada a sério e vota em qualquer um porque não dá importância para as eleições, principalmente as de deputados e vereadoresâ€, frisa o analista. E completa:
“Somos nota dez em tecnologia com a urna eletrônica, dez em participação do eleitorado e em liberdade de defesa dos programas partidários através da propaganda eleitoral gratuita, mas nota zero para o sistema que produz a representação parlamentar.â€
Apesar de criticar o sistema, Martins sustenta que o eleitor também precisa cumprir seu papel votando melhor e levando mais a sério as eleições. “O eleitor precisa ser mais consciente e entender que dizer que não gosta ou não se interessa por política não resolve problema algum. Isso porque a política continua afetando a vida das pessoas, pois as decisões são tomadas, de um lado ou de outro. Por isso não adianta virar as costas para a política e dizer que não quer brincar desse jogo porque acha que ele é feio. Tem de aprender a brincar com ele com mais seriedade e espírito de cidadãoâ€, salienta.
Para o analista, deixar a política para escanteio é uma postura cômoda. “Muitas pessoas não se lembram em quem votaram para deputado estadual, federal ou vereador porque votaram de qualquer maneira. Outras dizem que votaram e nunca mais fiscalizaram. Mas porque não cobraram e não fizeram seu papel de cidadão?â€, questiona. Segundo Martins, a resposta reside no fato de que é sempre mais fácil atribuir a culpa para outros do que admitir erros. â€œÉ mais fácil botar a culpa no Congresso e nas instituições do que parar, olhar e dizer que está votando mal e de qualquer jeitoâ€, conclui.