09 de julho de 2026
Polícia

PM quer policial morando na corporação

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

O posto policial do distrito de Tibiriçá, localizado na Praça 9 de Julho, poderá transformar-se também na casa do policial responsável pela segurança pública da localidade. Desde 1999 desenvolvendo a filosofia de aproximar a polícia do cidadão, agora o 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPMI) quer que os policiais que atuam nos três distritos sob sua jurisdição - Tibiriçá (pertencente a Bauru), Santelmo (Pederneiras) e Alfredo Guedes (Lençóis Paulista) - mudem-se para os prédios da corporação como estratégia para reduzir a incidência de crimes.

No Japão, esta modalidade de policiamento, que lá é chamada de chuzaisho, é comum nos bairros periféricos e zona rural, conta o capitão Wellington Luiz Dorian Venezian, comandante da Força Tática da PM em Bauru. Ele integrou a comitiva de policiais do Estado de São Paulo que visitou o Japão entre o final de outubro e o início deste mês num intercâmbio entre as polícias japonesa e paulista e incentiva o projeto, que em Tibiriçá já está em andamento e tem apoio do subprefeito, Edson Cavalieri.

“Seria muito mais produtivo se o policial morasse aqui, conhecesse a população, soubesse quem é de fora. Atualmente, cada dia é um policial que vem aqui, o que acaba dificultando esta proximidade com a população”, opina Cavalieri. Atualmente, o policiamento no distrito de Tibiriçá é feito por um policial em uma viatura das 15h às 22h. Fora deste horário, se a população precisar, aciona uma equipe de Bauru.

O capitão acredita que, com adaptações, há boas chances de modalidades de policiamento em prática no Japão, como o chuzaisho, contribuírem para a redução da criminalidade no Brasil. “A proposta não é implantar um projeto no Japão aqui em Bauru e na região do jeito que ele funciona lá. Mas sim adaptá-lo à nossa realidade, às nossas particulariedades. A PM paulista segue modelo de policiamento centrado no patrulhamento, na viatura. Já o Japão, adotou o modelo de policiamento de contato, em que o policial é muito próximo da comunidade, e os resultados são índices de criminalidade baixíssimos”, frisa.

Como no Japão, a proposta da PM é firmar um convênio com a prefeitura, que ficará responsável por ceder o imóvel e pagar contas de água e luz do posto policial. O subprefeito do distrito de Tibiriçá conta que já tem autorização da Secretaria de Obras para fazer orçamento para reformar o prédio da prefeitura onde já funciona o posto policial visando dividi-lo e adaptar uma parte para moradia. “As celas, que estão desativas, podem ser transformadas em quartos da casa do policial. Já temos banheiro e cozinha. Precisamos é fazer uma sala para a casa do policial para deixar a outra para o atendimento da população”, comenta.

Comandante da Base Comunitária Noroeste, responsável pelo policiamento de Tibiriçá, o tenente Samuel Gomes Pereira, adianta que já tem um policial interessado em morar e trabalhar no posto. â€œÉ um policial que já morou em Tibiriçá, que conhece as pessoas de lá, e quer voltar”, frisa. O tenente conta que os crimes mais comuns no distrito na verdade ocorrem na área rural. “O que é mais comum são furtos em sítios e fazendas”, diz.

Testado e aprovado

Apesar de no Estado de São Paulo ser raro, o modelo de policiamento em que o policial mora no prédio onde atende a população é uma realidade antiga no bairro de Pouso Alegre, na zona rural do município a Jaú. O posto policial é dividido entre a casa do policial e a unidade de atendimento à população há cerca de 20 anos.

O major Airton Troijo, subcomandante do 27.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (27.º BPMI), conta que os resultados da modalidade de policiamento têm sido muito bons. “A incidência de crimes em Pouso Alegre é menor que em outros bairros com as mesmas características”, diz.

Denominado Posto Policial de Segurança de Pouso Alegre, o local é referência para os moradores para todos os assuntos referentes à segurança pública. “O policial mora lá com a família e tem uma viatura para fazer as patrulhas. Se não houver desigualdade no número de pessoas, ele atende a ocorrência sozinho. Se precisar, chama reforço de Jaú”, explica.

O prédio pertence à prefeitura, que também paga as contas de água, luz e telefone. “Foi tudo feito legalmente, em convênio entre a prefeitura e a Secretaria de Segurança Pública”, diz. Troijo também destaca os resultados positivos do policiamento no distrito de Potunduva e no Jardim Pedro Ometto, outros dois bairros de Jaú em que os policiais não moram no prédio da PM, mas na comunidade.